Me indica um livro

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A pergunta é simples, mas a resposta pode não ser por aí

“Me diz aí um livro bom”. Escuto esse pedido repetidas vezes durante o ano, mas com a chegada daquela época de amigo oculto, até mensagem em Facebook já recebi com a mesma solicitação.

“Me diz aí um livro bom”.

Primeiro: o que é um livro bom pra você? Sério! Digo isso porque o que pode ser um livro excelente para uma pessoa, pode ser uma escolha péssima para outra.

Indicar livro é tão complexo quanto indicar perfumes. Uns adoram fragrâncias florais, outros preferem amadeirados e tem aquela galera que curte qualquer coisa que fique impregnado no ambiente inteiro! Como indicar o cheirinho certo para a pessoa certa? É muito pessoal! A mesma coisa se aplica a livros.

Mas desenvolvi um método para poder ajudar a galera que quer comprar o livro certo e impressionar com o presente (para si ou para os outros). Saca só!

Primeira pergunta que faço é se a pessoa já tem o costume de ler. Se tem, pergunto o tipo de livro que costuma ler e curtir. Aí a indicação é mais fácil.

Se o presenteado não tem costume de ler, pergunto a razão de dar um livro. Com base na resposta/explicação, consigo montar algumas dicas de livro.

Uma outra pergunta que faço é sobre os hábitos da pessoa. Gosta de assistir o quê na TV ou no cinema? Se interessa por quais tipos de assuntos? Por exemplo, se a pessoa curte séries policiais, Harlan Coben e James Patterson seriam boas dicas. E assim seguem as dicas com filmes românticos, de suspense ou até biografias.

Ler é uma experiência muito pessoal. Pode parecer estranho para nós, que escrevemos em blogs e resenhamos livros, porque estamos sempre falando sobre livros com tanta gente. Mas o sentar e se entregar para uma narrativa é uma experiência solitária e pessoal e justamente por isso seja difícil para algumas pessoas desenvolverem o hábito da leitura. As vezes, rola uma insegurança de não conseguir entender a narrativa ou até de ter uma opinião contrária da maioria (principalmente quando best sellers estão envolvidos). Tipo, como dizer que não curtiu do “livro do momento” se “todo mundo” está gostando? Simples, você, leitor, não é todo mundo.

Se ler é uma experiência pessoal, indicar livros também é. É preciso conhecer um pouco da pessoa, entender um pouquinho sobre o que a move, a assusta, a encanta para poder dar aquela dica certeira que vai conquistar o leitor. E aí, se um livro conquista um leitor, a porta está oficialmente aberta para mais livros serem lidos e ela nunca fecha!

Claro que tem gente que adora sair indicando os livros que mais gosta para os outros. Eu já fiz muito isso, mas entendi que não era o melhor caminho. Por exemplo, uma amiga minha tem o gosto para leitura completamente diferente do meu. Eu indiquei um livro que amei para ela e ela detestou. Meu coração se partiu um pouquinho porque, afinal, ela é minha amiga e não gostou de um livro que eu amo. Como é possível isso!? Simples: nós somos muito diferentes e não adianta impor o gosto literário no outro.

Então essa é uma dicona para amigo oculto! Quer dar um livro de presente? Então pense além do seu gosto, mas enxergue no outro o que ele curte. Se coloque no lugar do outro para entender o que ele gostaria de ler. E boa sorte!

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