Métrica

“Métrica” dilacera seu coração sem pedir licença. E você o ama por isso.

Esperava um relacionamento tranquilo, mas com aquele frio na barriga. Esperava passar por tudo com tranquilidade, mas com o coração palpitando mais forte de vez em quando. Esperava que fosse ser bom …. e só. Não tinha me preparado para ter meu coração arrancado do peito, de chorar copiosamente como se tivesse perdido tudo que amo de uma só vez. Não esperava ser dominada pelo desespero que vem com o segundo que leva para se virar a página. Não esperava ser conquistada e devastada de um dia para o outro. Foi tudo isso e mais um pouco que aconteceu comigo ao ler “Métrica” (Slammed).

Depois de devorar cinco livros em uma semana para o Clube do Livro Saraiva Rio de Janeiro, queria algo light, com “teen angst” para relaxar. Em uma conversa com amigas, mencionei como o amor impossível me conquista fácil e ouvi ambas murmurarem “Métrica”. O livro, da Galera Record, já estava em casa, aguardando para ser lido, pois está na lista de livros do sorteio da edição de agosto do Clube do Livro, então pensei: “é esse”.

Light? Não tem nada de light em “Métrica”. Ele conta a história de Layken (que, aliás, é um nome lindo!), uma jovem de 18 anos que, após a morte repentina de seu pai, se muda do Texas para Michigan com a mãe e o irmão de 9 anos (Kel, que é um fofo!). Seu vizinho do outro lado da rua é Will, que também tem um irmão da idade de Kel (Caulder, outro fofo!) e uma história tão trágica quanto a de Layken. Em menos de três dias, Lake (como ele e sua família a chamam) e Will se apaixonam, mas é claro que a vida não é nada fácil para os dois e as situações se complicam. Bastante.

Não vou contar spoilers porque descobrir o que acontece em “Métrica” é o que o faz tão especial. Escrito por Colleen Hoover, o livro é original, pois mistura a poesia do slam com a narrativa romântica. Slam, para mim, é como karaokê para poetas. No lugar de subir ao palco em uma boate e cantar uma música desafinadamente, você usa palavras de sua própria autoria para desnudar a sua alma. E ninguém te julga, só te escuta. Terapia mais barata – e corajosa – que essa não existe. E as poesias declamadas durante os acontecimentos de “Métrica” são absolutamente lindas! Nunca fui fã de poesias e de poemas, mas depois desta leitura, acho que vou tentar até escrever algumas.

Escrito em primeira pessoa, “Métrica” é uma delícia de ler. Sim, ele te parte o coração, mas Layken é tão real que é impossível não querer segui-la, saber o que ela vai fazer, até falar em voz alta alguns “sua burra!” e “não acredito!”. Enquanto Lake é real, Will é o cara que todas gostariam de conhecer. Mesmo. Não é perfeito ao ponto de ser um Gary Stu, mas é o suficiente para tirar o fôlego da leitora (e da protagonista) quanto aparece. Embora Lake e Will sejam ótimos, a personagem que roubou meu coração foi Eddie, a coadjuvante que é simplesmente incrível. Não tem como eu contar mais sobre ela sem estragar a experiência para você, leitor, mas lembre-se disso: balão rosa. E vá ler!

O amor de Lake e Will foi o que me atraiu para o livro e foi o que, de certa forma, menos importou enquanto estava lendo. Achei que começou meio que do nada, de repente, mas depois o ritmo melhorou muito. Mas “Métrica” não é sobre gatinhos e amores proibidos, mas sobre sentimentos e como lidar com eles. A poesia, o slam, é o que faz de “Métrica” original e tão, tão forte. É essa mensagem da autora que fica ao final da última página. Como disse, nunca gostei de poesia, mas depois desse livro realmente entendi a força que ela tem, não para quem lê, mas para quem escreve. Se quem ouviu ou leu gostou, é consequência. Ela é necessária para o poeta. Se ele não escrever, não se expressar, ele adoece. Eu compreendi isso agora. Me identifiquei com isso. E chorei. E amei.

“Métrica” é um furacão, com ventos que levantam páginas e você não tem onde segurar. Então se joga e se deixe levar sem medo. Porque, assim como tudo na vida, vai doer, mas vai valer a pena.

 

 Publicado originalmente no dia 25/07/2013

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7 pensamentos em “Métrica”

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