Minha relação com “Criança Amaldiçoada”

Amor, estranheza e nostalgia povoaram a minha leitura de “Harry Potter and the Cursed Child”.

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Antes de qualquer coisa, é preciso deixar um fato claro: ser fã de algo não é sinônimo de aceitar e/ou concordar com todos os aspectos do objeto em questão. Por exemplo, ser fã de Harry Potter não significa que eu tenha que gostar de “Criança Amaldiçoada”, por exemplo. E é sobre isso que escrevo abaixo.

Quando o assunto é lançamento de Harry Potter, tenho muito orgulho em já ter coordenado vários eventos de abertura de caixa. O que é isso? É o seguinte: vender livros inéditos de Harry Potter não é simples. Geralmente eles têm embargo, o que significa que não podem sequer sair da caixa antes de um horário específico em um dia marcado. E é nesse dia e hora que acontece a tal “abertura de caixa”. E é muito legal, porque é nesse momento que nós, fãs, passamos pelo “mar das primeiras vezes”: tocamos a capa, seguramos o livro, cheiramos as páginas. Tudo pela primeira vez com aquele volume. E foi assim com “Harry Potter and the Cursed Child”, que a editora Rocco traduziu como “Harry Potter e a Criança Amaldiçoada” e vai lançar no fim desse mês. Mas depois da festa feita e do livro embaixo do braço, a história mudou um pouco de cenário.

Para não ser injusta, vamos considerar um fato muito importante: “Cursed Child” é uma peça. Só aí eu já sabia que seria uma experiência muito diferente ler a tal “oitava história” porque não era prosa literária corrida, mas sim um roteiro teatral. Por que isso é uma questão relevante? Porque ler uma peça é uma experiência incompleta. Você pode analisar o texto, curtir os personagens e amar a história, mas não é completo porque não foi encenado. O teatro é algo vivo, algo que conecta quem está no palco com quem está sentado na plateia e até mesmo na escuridão das coxias. E isso, em si só, já é meio mágico. Mas, infelizmente, se você não está em Londres e desembolsou uma graninha para ver a peça (ou melhor, peças, pois são duas que se complementam), você não tem a visão completa do que é “Harry Potter and the Cursed Child”. #tamojuntonessa

Dito isso, eu tenho uma relação de amor/estranheza/nostalgia com a peça. Vou explicar abaixo cada uma dessas, mas deve conter alguns spoilers leves e alguns mais complexos. Mas tentarei ao máximo não contar detalhes. #KeepTheSecrets

Amor

Sou apaixonada por Harry Potter. Ponto final. Não somente pelos livros, filmes, personagens, temas, trilha sonora, etc. Mas porque foi por meio dele que minha vida literária mudou bastante. Então devo muito a Rowling e a seus personagens. Dito isso, só de ter conteúdo novo, eu já abracei com vontade! Não importa se iria gostar ou não do que me estava me esperando nas páginas: era novidade e pra mim já estava bom demais!

Uma parte grande do amor que senti por “Cursed Child” foi o fato de ler Snape novamente. Embora ele estivesse um pouco descaracterizado para o meu gosto, foi muito bom ter algumas linhas dele de novo. #SnapeFanAlways

Outro fator que me fez sorrir ao ler a peça foi ver os filhos de Harry e Draco se tornarem melhores amigos. Amei mais do que pensei ser possível! E a química entre eles é muito legal e rola até um “que” de bromance. Curti muito! E Alvo Severo é da Sonserina! YAY! Mas isso também integra a parte “estranheza”. Vamos falar sobre isso agora.

Estranheza

Mas, ao mesmo tempo que senti amor ao ler “Cursed Child”, foi estranho ler conteúdo Potteriano em formato de peça teatral. Estou acostumada a ler peças, então não tive problema para imaginar a movimentação, mas, como mencionei antes, ler e assistir não é a mesma coisa.
E o que me causou muita estranheza foi ler diálogos puros. Porque roteiro é isso aí, né? Parece que faltou texto, sabe? A sensação é que li um rascunho de um livro e não o produto final, o que é muito bizarro, até porque Harry Potter é uma tapeçaria, cheia de informações e elementos de estilo que dão dicas sobre a história.
Outros aspectos da narrativa também me causaram estranheza e de uma maneira nada legal.

Como disse antes, Alvo Severo e Scorpio são amigos e isso é legal. Mas ambos estão na Sonserina. Na SONSERINA! Minha Casa, okay, mas sempre alvo de comentários como “todos os vilões são Sonserinos” sendo que Pedro Pettigrew era Grifinória. Enfim … o ponto aqui é que um fato bombástico como esse não é muito explorado. É dito, falado, porém não explorado como poderia ser. Mas, ao mesmo tempo, é uma peça e cabe a atuação e o subtexto mostrar muita coisa. Aí me causa estranheza, fico querendo saber mais e ler mais, mas sei que estou vendo metade de uma obra. E gosto mesmo assim. Bizarro, né?

Ron foi reduzido a apenas um alívio cômico e eu acho isso um insulto ao personagem!

Hermione é excelente, mas em um momento de realidade alternativa, ela aparece mega malvada e ríspida e dá a entender que isso aconteceu porque ela não é casada com Ron. Sério? Vamos esculhambar a personagem mega girl power em um cenário no qual ela continua independente e poderosa, mas solteira e isso resulta em falha em seu caráter. Sério mesmo? Ficou feio.

  • Draco poderia ser mais bem caracterizado. Às vezes vejo Draquinho de sempre e às vezes vejo sua versão fanfiction.
  • Todo o drama e mistério que cercam Scorpio é muito fic. Muito MESMO! Não me convenceu (e não vou falar mais para não estragar a sua leitura).
  • Delphi é uma personagem nova que até cabelo colorido tem. E não no estilo Tonks. Ela é MUITO derivada de uma fanfic, gente! Tipo, MUI-TO! Não gostei dela e achei que a origem dela é muito mais fic ainda. Não me convenceu em momento algum! Quem leu sabe o que eu estou falando.
  • “Harry Potter and the Cursed Child” aborda temas como bullying, lealdade, pressão e muito mais, mas a sensação é que só introduz os temas e foca na ação em cena. E tudo termina meio que do nada. Muito “corre que a loja tá fechando”, sabe? Preciso reler para ver se foi só impressão.
  • E, claro, os “erros” de timing de poções e do vira-tempo e de outros feitiços que eu nem me preocupei muito porque, como disse desde o início, é uma peça e para o timing que ela passa, é preciso uma licença poética. Mas de repente quando sair a versão definitiva (essa é a do roteiro de ensaio) isso já tenha sido corrigido.
  • E tudo isso foi só o que lembro de cabeça e sem entrar em muito detalhe. Porque se catar, vou achar mais prós e contras, com certeza!

Nostalgia

Dito o lado bom e o ruim, fecho a coluna/resenha com nostalgia. A cada cena de “Harry Potter and the Cursed Child”, eu sentia como se estivesse revendo antigos amigos. Lembrei de várias situações que vivi ao ler os livros e senti aquele frio na barriga para conseguir ler tudo sem tomar spoilers.
E foi lindo voltar a esse mundo mágico, mesmo que tão modificado pelos acontecimentos do sétimo livro.

Deu vontade de reler os livros e de buscar aquelas fics que amo. Me desapontei com o conteúdo por todos os motivos citados, mas, ao mesmo tempo, Harry Potter sempre será incrível e continuarei fã. Não é porque sou Potterhead que tenho que amar tudo da franquia e acompanhar tudo e saber de tudo. Ao meu ver, ser fã é curtir, gostar, apreciar e buscar sempre mais. E quero saber mais e ver o que ainda vem por aí! Vamos, juntos?

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Um pensamento em “Minha relação com “Criança Amaldiçoada””

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