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O centenário João Cabral de Melo Neto

Vou começar esse texto admitindo que conheço pouquíssimo da obra de João Cabral de Melo Neto e ao mesmo tempo um de seus versos está entranhado no meu vernáculo diário. Parece uma contradição e é, na verdade é tudo culpa de Chico Buarque de Hollanda e a musicalização do poema “Morte e Vida Severina”. Não vou fingir que conheço a sua obra e sei um monte sobre a sua importância na literatura brasileira. Esse teto para celebrar o centenário de João Cabral é sobre a minha relação, pouca, com a sua obra e como isso me influenciou como leitora.

Minha mãe conheceu João Cabral e sua primeira esposa Stella e sempre contou uma história que me marcou. Diz ela que Stella falava que João Cabral não considerava música uma expressão de arte e que depois de ouvir seu poema musicado nunca mais conseguiu lê-lo sem cantar. Eu adoro colecionar histórias e curiosidades e somei a essa que cresci ouvindo o fato de que João Cabral foi eleito para a Academia Brasileira de Letras e nunca apareceu por lá, recebeu a honraria e ignorou a ABL.

Meu primeiro contato com a obra de João Cabral foi “funeral de um lavrador” (É de bom tamanho nem largo nem fundo / É a parte que te cabe deste latifúndio) parte do poema “Morte e Vida Severina” que Chico Buarque musicou em 1965 para ser encenado. A música me impactou na hora, fui ouvir o restante da peça, fui ler o poema, ver a maravilhosa adaptação feita para a TV na década de 1980. O poema fala sobre o retirante Severino em busca de uma vida melhor na capital de Pernambuco.

Foi descobrir que a letra da música que me impactou era um poema que me fez, lá na minha pré-adolescência, a olhar a poesia das músicas, a ler mais poesia. Foi depois de “Morte e Vida” que fui ler “Romanceiro da Inconfidência” e descobrir Cecília Meireles e a música de Chico, sempre ele, feita em cima de um dos poemas.

João Cabral via música abriu às portas para que eu descobrisse a poesia, para que visse as letras de músicas com outros olhos, para que admirasse a poesia dos textos. João Cabral foi fundamental na minha formação como leitora, alguém que mantém um site sobre livros há 10 anos. Viva João Cabral de Melo Neto!

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