O que o Sol faz com as Flores

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Segunda coletânea de poemas da indo-canadense Rupi Kaur, The Sun and Her Flowers foi publicado em outubro do ano passado. O lançamento por aqui pela editora Planeta do Brasil – a mesma que publicou o seu aclamado “Outros Jeitos de Usar a Boca” (Milk and Honey, no original) – está previsto para o próximo dia 26 com o título “O que o Sol faz com as Flores”. Assim como no livro de estreia, os poemas são acompanhados de ilustrações singelas feitas pela própria autora.

the sun and her flowers

Os poemas são divididos em 5 partes: murchar, cair, enraizar, crescer e florescer. São cinco fases de um longo percurso sobre crescer, amar, encontrar as próprias raízes, emigrar e encontrar conforto em nós mesmas.

As partes dedicadas a relacionamentos amorosos podem soar um pouco repetitivas para quem já leu o primeiro livro da poetisa e particularmente não me tocaram tanto. Porém os poemas que lidam com expatriação, feminilidade, ancestralidade e o relacionamento do eu lírico com a figura materna são o ponto alto da coletânea. A voz de Kaur permanece com a mesma força de seu livro anterior e com poucas palavras consegue suscitar no leitor uma vasta gama de emoções.

Como qualquer pessoa que faz sucesso na era da internet, Rupi Kaur já atraiu sua legião de haters. A maioria das críticas é focada no estilo de versos livres e fragmentados dos poemas e em seu conteúdo simplista e até clichê. Embora muitas das críticas tenham fundamento (alguns poemas realmente soam como algo que estaria num tumblr adolescente), algumas vão longe demais ao ponto de dizer que o que ela faz não poderia ser considerado poesia – ou até mesmo que ela estaria “destruindo a arte da poesia”.

Afinal, quem decide o que é poesia? Quantos poetas escreveram coisas de qualidade duvidosa e que até hoje são consideradas clássicos? Por que os poemas concretos de Paulo Leminski ou as referências obscuras de T. S. Eliot em The Waste Land seriam mais legítimos do que os versos livres e intimistas de Kaur?

Talvez a falta mais grave de Kaur seja justamente o seu sucesso estrondoso, especialmente entre mulheres jovens – afinal, todo mundo sabe que qualquer tipo de literatura focada nesse público específico só pode ser uma porcaria, não é? As verdades difíceis dos poemas de Kaur, uma mulher jovem e não-branca, provavelmente não serão entendidas pela crítica literária que se acostumou a ter como parâmetro os gostos de homens brancos e velhos.

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