O tempo e o vento, uma saga pessoal

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Era o verão de 1995 e a TV Globo reprisava a minissérie “O Tempo e Vento”, passava tarde da noite e eu quase nunca conseguia acompanhar. Resolvi ler a saga escrita por Érico Verissimo, são sete livros divididos em três (O Continente, O Retrato e O Arquipélago). Tinha em casa os dois livros do Continente, li em tempo recorde envolvida pela força de Ana Terra e o charme do Capitão Rodrigo. Tudo ia bem até que descobri ser impossível encontrar o primeiro livro do Retrato, só encontrava o segundo. Rodei sebos, livrarias, perguntei para os amigos e nada. Deixei a empreitada de ler os sete livros de lado.

Uma década se passou e no centenário de Érico Verissimo resolveram relançar toda a sua obra. Comprar sete livros de uma só vez estava fora do meu orçamento, mas em alguns meses tinha a coleção completa. Não lembrava mais o que tinha lido ainda na adolescência e recomecei a leitura do zero. Os dois primeiros livros foram me voltando aos poucos.

Li os sete livros em dois meses, gosto muito mais dos quatro primeiros (O Continente e O Retrato) do que dos três últimos. Em O Arquipélago a historia sai de Santa Fé e se muda para o Rio de Janeiro, em termos históricos é interessante, mas pra mim perde um pouco do encanto. Lembro de ter mergulhado totalmente no universo da historia, de ter imaginado Santa Fé nos mínimos detalhes, foi um prazer enorme ter devorado essa saga. Valeu esperar dez anos para conseguir concluir a empreitada.

Quando na Bienal do Livro de 2011 assisti uma palestra da Leticia Wierzchowski falando que estava adaptando a saga para o cinema fiquei toda animada para assistir. Quando vi que Bibiana seria vivida por Fernanda Montenegro fiquei ainda mais animada, um pouco triste por a Glória Pires não pode ser novamente Ana Terra. Sim, meu imaginário foi contaminado pela adaptação, assim como aconteceu quando li “E O Vento Levou”, Vivien Leigh é Scarlett O’Hara, e Jack Nicholson é Jack Torrence. Para mim Ana Terra é a Glória Pires.

Fui ao cinema toda animada para me reencontrar com personagens de que gosto muito de um livro que tenho esperança de reler e me decepcionei. O filme é lento, se concentra só no romance entre Bibiana e o Capitão Rodrigo e uma força meio meia boca de Ana Terra. Não tem todo o clima de rivalidade entre os Terra Cambará e os Amaral e, o pior de tudo, fala muito pouco de todas as guerras que formaram as fronteiras no sul do Brasil. Esse elemento histórico é que dá um gosto todo especial a saga criada por Verissimo.

Isso tudo são opções de roteiro. Valorizar um personagem em detrimento de outro, nenhum leitor fica completamente satisfeito com as adaptações cinematográficas. Eu ando por ai com uma camisa que diz “Movies: ruining the book since 1920”, mas o que mais me doeu no cinema foi a falta da trilha sonora do Tom Jobim. Toda a tomada mais longa tocava na minha cabeça “Passarim”, a mais conhecida musica da trilha que ele compôs para a minissérie. Eu li os livros com esse CD tocando direto, é a trilha sonora dos Terra Cambará e no filme ela inexiste, a trilha nova não é ruim, mas a de Tom Jobim é genial, difícil de competir.

Sai do cinema com uma vontade louca de reler os quatro primeiros livros, de voltar a me encontrar com Bibiana, Bolivar, Licurgo, Bento, Rodrigo, Ana, Maneco, Pedro e tantos outros.

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