Os três estigmas de Palmer Eldritch

Philip K Dick é um desses escritores que conheci pelo cinema, filmes como “Blade Runner” me apresentaram ao mundo criado pelo escritor americano, e depois de muito ensaiar peguei “Os três estigmas de Palmer Eldritch” para ler. Como primeiro contato com Dick em um livro foi bastante proveitoso.

A terra está se tornando inabitável por causa do aquecimento global. Momentos visionários como esse em livros de ficção cientifica sempre me surpreendem, o livro é de 1964, muito antes de qualquer debate sobre aquecimento ter destaque. Voltando ao livro, com o super-aquecimento, as pessoas não podem sair as ruas sem uma roupa de resfriamento e andar na rua sem ela é morte certa (se você vive no Rio de Janeiro a identificação com o calor infernal descrito é imediata), a ONU, órgão que substituiu os governos, começa a mandar colonos para outros planetas. Mesmo com o calor insuportável as pessoas não querem deixar a terra e os que são enviados para outros planetas utilizam a droga ilegal Can-D para suportar a experiência.

O livro começa como uma disputa pelo mercado de drogas nos planetas do sistema solar. Leo Bulero é o chefão do tráfico de Can-D e se vê ameaçado com a chegada de Palmer Eldritch e seu Chew-Z. Ambas as drogas levam seus usuários a entrar em um outro mundo, uma, Can-D, precisa de um cenário habitado por Pat Insolente para guiar a alucinação de seus usuários, a outra, Chew-Z, cria uma outra alucinação tão realista que seus usuários não sabem distinguir entre o que é real e o que não é, pense em “Matrix”.

O desenvolvimento dessa trama que começa como uma disputa comercial e descamba para uma série de questionamentos sobre o que é a realidade e, principalmente, sobre religião é um pouco confuso. Não é um leitura difícil mesmo com todas as idas e vindas de alucinações e realidade, mas parece que o debate fica apenas na superfície com um final em aberto que é ridículo de tão óbvio.

Como primeiro contato com a obra de Dick foi uma ótima leitura, gosto de elementos que se repetem em sua obra como os precogs e o questionamento sobre o que é real e o que não é. Acho que o que me incomodou no final das contas foi o terço final do livro meio confuso, querendo uma profundidade que não conseguia explorar em tão poucas páginas.

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Um pensamento em “Os três estigmas de Palmer Eldritch”

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