Perfil: Pedro Bandeira

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Só de falar Pedro Bandeira meu coração já palpita de amor. Meu primeiro contato com ele foi na escola, como acredito que tenha acontecido com muitas pessoas. “O Fantástico Mistério de Feiurinha” foi o primeiro livro que li do autor, eu devia estar na terceira ou quarta série, a leitura ainda estava em fase de construção, especialmente de histórias mais longas, e foi paixão nas primeiras palavras. A trama, que conta a história de uma princesa desaparecida, a Feiurinha, e envolve todas as princesas dos contos de fadas mais conhecidas e sua vida pós “felizes para sempre” era tão deliciosa que li e reli inúmeras vezes. Até hoje ainda me divirto lembrando da Chapeuzinho Vermelho sem príncipe, as princesas grávidas e seus problemas domésticos cotidianos e, claro, o escritor que pode ajudar a resgatar a princesa desaparecida. É tanto carinho que tenho o livro até hoje, muito bem conservado por sinal. Relíquia de tempos bons.

Depois veio, é claro, a série “Os Karas”, com seu clássico “A Droga da Obediência”. O livro é de 1984, antes mesmo de eu nascer, mas seguiu por gerações e gerações vendendo muito bem (mais de um milhão e meio de exemplares até hoje), porque a história dos jovens Miguel, Calu, Magrí, Crânio e Chumbinho resolvendo mistérios e, ao mesmo tempo, passando ensinamentos que todo pré-adolescente e adolescente precisa, é atemporal. Apesar de não possuírem nenhum artifício tecnológico como tudo que possuímos hoje, os garotos nos cativam pela escrita de Bandeira, que faz com que a gente nem se importe se para se os detetives são do tempo em que não existia Google ou celular com GPS. O primeiro livro é seguido de “Pantano de Sangue”, “Anjo da Morte”, “A Droga do Amor” e “Droga de Americana”, e a série que formou muitos adolescentes no Brasil por muito tempo ficou sem um desfecho. Segundo Pedro Bandeira, ele bem que tentou, mas a tecnologia avançou muito rápido e ele ficou no impasse entre atualizar “Os Karas” para as novas ferramentas hightec ou deixá-los a seu modo original. Sem conseguir equilibrar presente e passado, Bandeira optou, recentemente, por se focar no futuro e deixar seus personagens crescerem. Em “A Droga da Amizade”, Miguel (líder do grupo Os Karas), já adulto, relembra como conheceu seus melhores amigos, e o leitor descobre para o que caminhou a vida de cada um dos personagens. A turma terá, é claro, que se reunir mais uma vez e solucionar mais um mistério “final” (será?).

Pedro Bandeira é um autor que fez parte da infância de muitos e muitos leitores, é patrimônio brasileiro. Foi professor, trabalhou em teatro profissional (como diretor, ator, cenógrafo e até em teatro de bonecos) e também jornalista do Última Hora e da Editora Abril. Começou no mundo da literatura infantil com “O dinossauro que fazia au-au”, mas foi com “A Droga da Obediência” que se consagrou como autor do público infanto-juvenil. “O Fantástico Mistério de Feiurinha” se tornou um clássico quase instantâneo e rendeu ao autor o Prêmio Jabuti de 1986. É considerado o autor brasileiro de literatura juvenil com o maior número de obras vendidas. Mas, pra mim, Pedro Bandeira é muito mais do que números e prêmios, é parte integrante da minha formação enquanto pessoa. Simplesmente tem cheirinho daquele livrinho usado, mas muito amado, e material escolar. Gostinho de risadas no colégio e bolo de vó à tarde. Pedro Bandeira é a parte da infância que nunca deveria sair de nós.

“Ainda temos uma cultura ruim, em que os pais não hesitam em comprar um tênis de grife para o seu filho, de R$ 1 mil, mas chiam quando a professora manda comprar um livro de R$ 20. Eles dizem que “não gostam de gastar dinheiro com besteira”. Os pais ainda acham mais importante investir no pé do que na cabeça do filho.” – Pedro Bandeira em entrevista à Revista Língua

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