Precisamos falar sobre Kevin

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“Precisamos falar sobre Kevin” é um daqueles casos que podem facilmente ser descritos como “um soco no estômago”. Uma mãe falando sobre seu filho adolescente que cometeu um massacre em uma escola é um bom enredo, um daqueles que tem tudo para se tornar melodramático, onde o leitor passa a ter pena da mãe. Esse seria o roteiro fácil a se seguir, mas os caminhos fáceis não fazem parte da literatura de Lionel Shriver e nós, os leitores, somos levados a mergulhar mais profundamente no que é criar um psicopata. Uma jornada dura, difícil e de literatura de alta qualidade.

“Kevin” era um livro que me assustava um pouco, fugi dele bastante. Quando me decidi a lê-lo ocorreu o massacre na escola em Realengo no Rio de Janeiro, o clima já estava pesado demais para que eu lesse sobre um massacre. Precisei de mais alguns meses até que conseguisse pegar o livro novamente e dessa vez ir até o fim. O livro vale o esforço. Eu sabia que seria um retrato bem cru sobre a vida de um psicopata adolescente, já tinha experimentado a literatura de Shriver em “Mundo Pós-Aniversario” e sabia que não seria uma leitura fácil e que eu teria que ser uma leitora dedicada.

Eva, mãe de Kevin, está revendo sua vida desde o momento em que resolve ter uma família com Franklin até o presente, no caso o ano de 2001. As cartas respeitam mais ou menos uma linha do tempo, pulam do passado para o presente alternando o contrates do que era a vida de Eva antes do massacre e o que aconteceu depois. Lemos só um lado da história e o que lemos é que Kevin estava destinado a ser um assassino, desde bebe, não existe escolha, ele nasceu desagregador. Vemos a criação e o desenvolvimento de um monstro, Eva escreve depois de saber o que aconteceu, mas escreve mostrando que ela e o filho sempre travaram uma disputa, eram adversários.

É impossível colocar o livro de lado. A construção da narrativa envolve o leitor e você é simplesmente incapaz de fecha-lo, mesmo que o que esteja nas páginas seja tão perturbador e difícil de ser digerido. Mesmo sabendo o fim, afinal o grande acontecimento é um massacre em uma escola, Shriver conseguiu me surpreender. Não vou contar spoilers, mas posso dizer que não previ algumas coisas que acontecem mesmo tendo lido e conversado um monte sobre o romance antes de começar a lê-lo.

É necessário estar preparada para embarcar na jornada de Eva, mas esse é um daqueles livros que todos deveríamos ler. O tema é pesadíssimos, abre uma discussão sobre pais e filhos, culpa e massacre, não apenas o que deixam corpos, mas o massacre que as famílias de assassinos sofrem no pós crime.

É um ótimo livro e já foi adaptado para o cinema, dê uma olhada no trailer.

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3 pensamentos em “Precisamos falar sobre Kevin”

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