Prêmio Hugo – Parte 1

Estamos chegando ao final da temporada de premiações da literatura de Ficção Científica. Leitor de FC adora uma lista, e ainda mais um prêmio. Nem que seja pra protestar que o seu preferido não está na lista ou merecia ter ganho. Se não reclamar, não é fã… Mas falando sério, os prêmios servem de referência num gênero tão congestionado. Eu mesmo descobri grandes autores como Robert Silverberg, Jack Vance, Harlan Ellison e grande companhia numa antologia de ganhadores editada por Isaac Asimov.

Dois desses prêmios se destacam. O Nebula é dado desde 1966 pela Associação dos Escritores de Ficção Científica e Fantasia (SFWA). Votado pelos escritores profissionais, é considerado o prêmio mais erudito. É a Palma de Ouro do Festival de Cannes.

O Hugo (homenagem a Hugo Gernsback, editor pioneiro da revista Amazing Stories) é dado desde 1953 pelos participantes da Convenção Mundial (Worldcon), ou seja, basicamente os fãs. É uma escolha mais popular, tipo Oscar, mas não chega a ser um People’s Choice. Tem que estar inscrito (leia-se: pagar) na Convenção, que geralmente alterna sedes nos Estados Unidos e em outros países. Este ano, vai ser em San José, na Califórnia. Em 2019, em Dublin, na Irlanda.

Primeiro ganhador em 1953

Não precisa estar presente fisicamente. O ingresso pros 5 dias custa 230 dólares, mas você pode se cadastrar como Apoiador e pagar 50. Eu voto assim desde 2012. Vale a pena: você recebe um pacote com as edições eletrônicas dos indicados – embora algumas editoras mandem só amostras, com medo de pirataria.

Enfim, a votação preliminar geralmente começa em Fevereiro. Na Páscoa os finalistas são anunciados na Eastercon britânica. Daí a votação segue até o fim de Julho, com os ganhadores anunciados na Worldcon (fim de Agosto).

Este ano são 17 categorias: das quatro principais (romance, novela, noveleta, conto) até fanzine; além de dois prêmios associados, para Melhor Escritor Novo e Livro Jovem Adulto.

 

Hugo e Nebula em 1966

A votação tem regras complicadas pra tentar produzir uma escolha por consenso. Você vota não só no seu candidato favorito, mas em todos em ordem preferencial. Na apuração, eles vão eliminando o último colocado, e todas as cédulas têm a ordem reclassificada. Por exemplo, se o meu número 1 for eliminado, o que eu havia escolhido em segundo lugar passa a ser o meu preferido na rodada seguinte. E sucessivamente até ficarem dois finalistas.

Complicado? Mas isso existe pra evitar, por exemplo, que uma minoria de fãs votando em bloco dê o prêmio a um determinado escritor. Mas às vezes produz reviravoltas: ano passado, eu tinha votado em Todos os Pássaros no Céu, de Charlie Jane Anders. E o livro liderou em todas as rodadas, menos na última: porque no confronto direto, a maioria preferiu The Obelisk Gate, segundo volume da trilogia A Terra Partida, de N. K. Jemisin (o primeiro volume, A Quinta Estação, já havia vencido no ano anterior. Se ganhar de novo agora, com The Stone Sky, vai ser a primeira a vencer três anos seguidos. Mais sobre os candidatos de 2018 em outro capítulo…)

Rumo ao tri?

Tem mais: você pode votar para não haver premiação (No Award), se achar que são todos fracos e que ninguém merece.

E ano passado, foi introduzida uma modificação pra dificultar ainda mais essas votações arranjadas. Na fase de indicação, todos escolhem até cinco candidatos. Mas na cédula final, entram os seis mais votados. Isso evita que um grupo pequeno, votando em bloco, possa manipular as indicações e fechar uma lista só com os seus queridinhos.

Por que isso foi necessário? Leiam no próximo capítulo. (E se alguém ficou com dúvidas com toda essa nerdice, por favor deixe a pergunta nos comentários.)

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