Quinta avenida, 5 da manhã

Audrey Hepburn, Bonequinha de Luxo e o surgimento da mulher moderna

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O livro de Sam Wasson é um daqueles que ficou um tempo morando na minha pilha PG, como costumo chamar a minha estante de livros para ler. Ganhei-o de aniversário e uns meses depois um amigo o recomendou, achei que a junção dos dois eventos era um sinal para que o livro furasse a fila e fosse degustado antes. Estava com toda a razão. “Quinta Avenida, 5 da manhã” é ótimo, mostra como um filme lançado em 1961 foi uma dos passos para a construção da mulher moderna e como a figura de Audrey Hepburn foi importante para essa transformação.

O livro mostra todo o processo que levou os envolvidos no filme, pelo menos os mais importantes, a se envolver no projeto. Faz um ótimo panorama sobre o moralismo americano nos anos 1950 e como Hollywood lidava com isso. Era um tempo em que tínhamos duas loiras brilhando no cinema, o puritanismo de Doris Day e a sensualidade de Marilyn Monroe, e quem conseguiu se tornar ícone de um feminismo latente foi uma morena belga, Audrey, no papel de um prostituta de luxo baseado em um livro de Truman Capote.

Eu adoro adaptações cinematográficas de livros, não que eu goste do que certas adaptações fazem com os textos. Gosto de ter contato com uma nova visão do que li, entendo a dificuldade de contar uma história em outro meio, e de delicio, muitas vezes, descobrindo aspectos diferentes dos que havia percebido ao ler. “Bonequinha de Luxo” de Capote mora na minha pilha PG ha tempos e ele parece sempre perder a disputa para outros títulos, com isso nunca li o romance original, apenas o vi o filme, mais de uma vez na verdade.

O livro de Wasson mostra como foi feito a transposição do romance para a tela, todas as barreiras que precisaram ser transpostas e como muito foi deixado de lado para que a filme não chocasse os bons costumes da época. Ler os relatos da feitura do roteiro e como Capote não gostou do resultado é maravilhoso para quem, como eu, adora bastidores de cinema e se interessa por como o cinema reflete as mudanças culturais a sua volta.

O subtítulo do livro não faz muito sentido, Audrey até tem sua importância mas é o projeto, o filme “Bonequinha de Luxo”, que contribui para o surgimento da mulher moderna. Audrey tem importância pela a sua figura, sem o seu ar de boa moça o filme corria sérios riscos de nunca passar pela censura americana. Mas é o todo, o roteiro, a produção, as escolhas feitas, como a de Henry Mancini para compor a trilha sonora, é que fizeram o filme, com todas as suas falhas, se transformar em um marco.

O livro é uma ótima leitura. Tem o equilíbrio certo entre, relato, fofoca de bastidores, analise e contexto histórico. Ele peca um pouco na sua conclusão, mas não é nada que comprometa o todo do livro. Leia o livro e veja o filme.

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