Você é fodona

Livro: Você é fodona, de Jen Sincero
Editora: Rocco
Tradução: Márcia Frazão

“Você pode começar com nada e, do nada e da falta de caminho, surgirá um caminho” é uma das citações do livro, de Michael Bernard Beckwith, e praticamente resume o objetivo em te influenciar a tomar uma decisão mesmo que você acredite que não esteja preparado.

Sempre que começo um livro de autoajuda, ou qualquer livro, na verdade, pratico um pequeno exercício mental, que é quase como ficar pelada na frente de alguém. Consiste basicamente em imaginar que quem está sendo julgada sou eu, ao ler, e me livrar de preconceitos e pensamentos negativos, seja sobre o gênero do livro – nesse caso, da autoajuda, sabemos que é uma linha bem perseguida –, seja sobre o tema, o autor ou até sobre quem me indicou ou presenteou, que pode ter sido um grande amigo ou ser fruto de uma parceria com editora, que é o caso aqui. (Obrigada, Rocco! <3)

Eu simplesmente apago tudo, respiro fundo, e começo a ler como se fosse uma criança pegando um objeto desconhecido pela primeira vez na vida. Não é à toa que eu gosto tanto de ler… Só quando acabo o livro é que paro para analisar o que fixou, o que é mais do mesmo, o que mexeu comigo, por que etc… Costuma dar certo. Termino a experiência leve, muito mais inclinada a acreditar nas minhas considerações do que se tivesse começado a ler cheia de certezas.

O curioso é que, ainda que voltado para outro motivo, boa parte do livro Você é fodona, de Jen Sincero, fala disso. Das nossas crenças limitantes, preconceitos, de tudo aquilo que a gente foi escutando ao longo da vida e imputando na nossa realidade, nas nossas vidas e nas nossas decisões. Se o que você escutou durante a vida inteira foi algo positivo sobre relacionamentos, então, vai ser muito mais fácil você entender o relacionamento como algo possível e bom. No entanto, se sempre ouviu que tudo acaba, não vale a pena, sempre haverá brigas e “não tem como dar certo”, é muito provável que você acredite em tudo isso e repita esses resultados, mesmo que sem muita consciência disso. Mesma coisa com o dinheiro. Seu relacionamento com o dinheiro está diretamente ligado ao que você pensa dele e como lida com ele.

De um jeito harmoniosamente bem-humorado, Jen nos conduz através de vários tópicos sobre a transformação pessoal; o que é necessário largar de mão, no que você deve focar e como você deve começar a fazer tudo isso. Às vezes, ela fala um pouco mais do mesmo, às vezes, ela reforça algo que você deveria saber, mas não quer enxergar, e às vezes ela dá uns exemplos práticos e pessoais que fazem do seu livro uma obra única.

Veja bem, Você é fodona não é meu primeiro rodeio. Eu leio autoajuda há 10 anos, desde um frila que peguei de revisão e aprendi que, não importava o quão óbvia fosse a mensagem, uma leitura positiva não machucava ninguém, e só no mês de abril li 8 livros do gênero para o trabalho. Portanto, estou ciente de que as informações costumam se repetir, muita coisa em muitos desses livros são apenas frases vazias, sem muito estudo de área nenhuma, e isso pode irritar uma boa parte dos leitores. Felizmente, a Jen Sincero tem muito a dizer.

O diferencial desses livros de transformação é justamente a vivência do autor na busca por aquilo que ele promete no título do livro e o carisma em contar essas histórias. No final, pra mim, é isso que vai pesar mais. Ao optar por não se aprofundar muito em teorias nem se alongar em exemplos que não pessoais, Jen Sincero escreveu um livro que pode ser lido por todos, não apenas mulheres. E, embora a autora tenha uma pegada forte no espiritual, com a qual eu não me identifico nem um pouco, sendo agnóstica, hehe, e volta e meia ela deixar claro o quanto é adepta do Segredo e da Lei da atração, que eu não tenho paciência alguma, pelo menos, ela faz de um jeito descontraído, não tão impositivo, deixando, sempre que possível, claro que as coisas não vão acontecer sem esforço físico e mental por parte do leitor.

Na mesma proporção que discordo da autora nos assuntos espirituais, concordamos sobre nossa atitude perante o medo e o quanto isso deve mudar e ser trabalhado aos poucos, assim como trabalhamos os músculos e hábitos. (Aliás, uma pausa aqui para uma dica de um episódio de podcast sobre hábitos – Creatures of Habit #200 – um bate-papo do Sam Harris com o James Clear). Somos reféns do medo e deixamos de fazer muita coisa por conta dele; é melhor que façamos logo agora o que nos aterroriza, o que devemos e desejamos fazer e falhemos o quanto antes, que não fazer nada ou deixar para depois, quando o fracasso vai pesar ainda mais na nossa conta.

De qualquer forma, fracasso é o caminho para o sucesso, nisso não há dúvidas, e Jen está certíssima. Aprendi isso quando criança com Walt Disney! Quem quiser absorver o mantra dele “Keep Moving Forward” da melhor forma possível, basta assistir ao filme A Família do Futuro (Meet the Robinsons, 2007), um dos filmes mais subestimados dos estúdios pelo público.

Jen não mergulha no assunto da síndrome do impostor, embora fale de medo e a gente possa usar a mesma lógica, mas ao fim de uma palestra sobre seu livro alguém lhe faz uma pergunta sobre esse assunto e a resposta dela me ganhou, ou talvez tenha sido o fato de ela ser muito parecida com a Susan Sarandon. Seja como for, vale a pena conferir!

Caso queira saber mais sobre a autora, ela tem um site, newsletter e até fundo de celular para você se inspirar no dia a dia. =P Na primeira newsletter, você já recebe um PDF com 10 segredos para ser fodona, que basicamente resume alguns tópicos do livro, mas não todos, ela não é boba. E se você quiser aparecer no Instagram dela, eis a chance!

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