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Herdeiras do Mar

O destino das muheres durante a guerra são, incrivelmente, pouco explorados nas narrativas ficcionais. Quando nos deparamos com protagonistas femininas em épocas de conflito, normalmente, fala-se de mulheres extraordinarias, espiãs, guerrilheiras, poucos são so relatos sobre as mulheres comuns. Quando se fala em Japão se pensa logo em um país tecnologico, avançado e, algo que acho quase inacreditavel, se esquece seu passado extremamente violento. A junção dessas duas questões foi o que me atraiu para “Herdeiras do Mar” de Mary Lynn Bracht (tradução de Julia de Souza). Duas mulheres coreanas e como elas sobreviveram a ocupação japonesa durante a segunda guerra mundial e suas onsequencias.

Não foi facil engrenar a leitura, o primeiro terço do livro é arrastado, pouco envolvente. O que estava sendo relatado, principalmente sobre o periodo da Guerra, me parece desconectado da violencia que está presente nas cenas, me incomodou e fez com que eu colocasse o livro de lado por uns dias antes de continuar. As personagens foram me conquistando, é verdade, mas continuei, até o fim, com a sensação que toda a história poderia ter uma narrativa mais poderosa do que a que estava lendo. É mais um problema de forma do que de conteudo e no final das contas o conteudo acaba prevalecendo, mas precisa de persistencia. Hana e Emi, as irmãs e protagonistas, acaba se impondo em meio a narrativa pouco sedutora e lá fui eu mergulhar nos horrores e crueldades de se viver durante uma ocupação por um país estrangeiro e as consequencias de ver suas tradições desvanecendo.

O livro é contado em dois tempos, a ocupação Japonesa nos anos 1940, e no presente. As irmãs fazem parte de uma linhagem de haenyeo “mulheres do mar”, coreanas peescadoras que mergulham sem equipamentos e buscam o sustendo no fundo do mar. É uma tradição da provincia da ilha de Jeju e que segue a linhagem feminina das familias. Hana já é uma jovem iniciada nas tradições quando se sacrifica para salvar a irmã Emi da chegada de soldados japonese a praia em que ela e a mãe mergulhavam. Hana é levada para a mandichúria e é trasnformada em uma “mulher de consolo” para os soldados japoneses, ou seja, uma escrava sexual. Emi fica na Coréia e tenta lidar com a culpa por não ter feito nada enquanto sua irmã a protegia.

É um livro importante principalmente por contar a guerra pelo ponto de vista de mulheres e por se passar na Coreia. O mundo é tão centrado no ocidente que tendemos a esquecer que a Segunda Guerra foi travada em muitos fronts. A escrita de Bracht demorou a me envolver mas no final valeu a pena insistir.

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