11/22/63 (Novembro de 63)

 

A data do título do último livro de Stephen King não significa muito para nós brasileiros, mas para os americanos é uma data importante, é o dia do assassinato do presidente Kennedy em Dallas. King disse que tentou escrever esse romance na década de 1970 mas a proximidade com o acontecimento o impediu. Ter esperado 40 anos para que ele voltasse a esse projeto valeu a pena. O livro é ótimo, daqueles viciantes.

Não sou uma conhecedora da literatura de King, conheço seu trabalho mais por filmes e séries, esse é só o segundo livro que leio dele. “11/22/63” foi lançado no final do ano passado e logo vieram as boas críticas, fiquei curiosa e guardei a informação. Aguardei um pouco para comprar e baixar o livro (li no Kindle) porque trata-se de um romance com viagem no tempo e isso sempre me deixa com a pulga atrás da orelha. O que me convenceu a lê-lo? As resenhas que diziam que ele tinha um quê de “Em Algum Lugar do Passado”, um dos filmes adoro.

Jake é um professor de inglês que é procurado pelo dono de uma lanchonete que frequenta, Al, com uma proposta: voltar no tempo e impedir o assassinato de Kennedy em 1963. Al diz que tem um portal que o leva para o ano 1958 na dispensa da lanchonete, que ele tentou parar o assassino mas um câncer o impede de continuar. Jake, a princípio, acha tudo muito louco mas ao experimentar o portal acaba topando a idéia. Essa é a premissa, nosso herói vai passar cinco anos no passado para tentar impedir o assassinato. A regras da viagem no tempo são boas e claras.

A viagem de Jake, que no passado se chama George, é mais sobre uma reconstituição primorosa do interior dos EUA no final dos anos 1950 e inicio de 1960 do que sobre Kennedy e Lee Harvey Oswald. As cenas em que George/Jake está observando Oswald são ótimas, dá ao leitor uma perspectiva melhor do que aconteceu em Dallas em novembro de 1963. O que encanta mesmo é a jornada de Jake/George ao passado, seus amigos, sua vida, seu romance com Sadie. É durante os anos de espera pelo grande assassinato que o livro se assemelha a “Em Algum Lugar do Passado” e é nesse momento que ele fica tão viciante. Tinha muita dificuldade de colocar de lado as mais de 800 páginas, tudo é envolvente, o cenário, a história, a escrita, é King no alto de sua forma como escritor.

Ao começar a ler esse romance já sabia que são poucas as possibilidades de finais para livros que tratam de viagem no tempo. A escolha feita, que King admite que foi ideia de seu filho, Joe Hill, é boa e harmoniza bem com o restante do livro. “11/22/63”é um longa jornada e vale cada página. O filme começa a ser rodado no segundo semestre deste ano por Jonathan Demme, de “O Silencio das Inocentes”.

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