A calmaria antes da tempestade

No seu primeiro spin-off de Vampire Academy, a autora Richelle Mead introduz regras que ela certamente terá prazer em quebrar.

Bloodlines

Depois de ter o coração despedaçado ao longo dos seis livros que contaram a história dos Dampiros Rose Hathaway e Dimitri Belikov, os leitores estão prontos para mais! Claro! Richelle Mead colocou seu talento agora no outro lado da moeda: se em “Vampire Academy” seguimos Rose – uma protagonista que não leva desaforo para casa e quebra todas as regras para salvar quem ama -, em “Laços de Sangue” (Bloodlines), acompanhamos Sydney Sage, a jovem alquimista apresentada em “VA”. Religiosa, leal, e absurdamente disciplinada, Sydney é a definição da ordem. Mas quando as linhas entre o racional e o emocional começam a se fundir, a situação complica para a moça que tem uma tatuagem dourada no rosto.

Os acontecimentos de “Laços de Sangue” (publicado no Brasil pela editora Seguinte) são narrados por Sydney logo após os últimos acontecimentos de VA. Ou seja, se não leu, LEIA! Até porque é bom demais e vou dar spoilers de VA agora. Você foi avisado.

Desacreditada pela própria família por ter ajudado Rose escapar e a salvar Dimitri, Sydney precisa provar que é uma alquimista capaz, precisa reconquistar sua posição dentro dos alquimistas e limpar sua reputação. Mais fácil de falar do que de fazer. Os alquimistas formam a linha de frente entre os Moroi , Dampiros e Strigoi (vampiros do mal) e os humanos. Ou seja, se nós não sabemos que eles realmente existem é por mérito dos alquimistas. Humanos e tementes a Deus, os alquimistas são muito rigorosos, inteligentes e repletos de recursos. Todos têm uma tatuagem dourada no rosto que os distingue e os previne de falar sobre os seres sobrenaturais que conhecem. A tatuagem também dá uma mãozinha no sistema imunológico, mas só. Nada de poderes para essa galera.

A missão de Sydney – a que pode colocá-la em bons termos com sua família e equipe novamente – envolve proteger Jill, a meia-irmã de Lissa, agora Rainha dos Moroi (realeza dos vampiros “do bem”). Mas não é algo como ser uma guardiã – papel desempenhado por Eddie -, mas sim agir como sua irmã em um semi-internato em Palm Springs. No meio do deserto! Pois é. Moleza, hein? Para piorar a situação, Sydney precisa lidar com fantasmas do seu passado em forma de gente (mega mala) e com o adorado por todas as leitoras, o Moroi Adrian.

A narrativa é eficaz e coerente com a protagonista, mas Sydney é tão cheia de regras que irrita um pouco. Mas Richelle Mead conhece como ninguém seu talento, seus personagens e seus leitores, então “Laços de Sangue” se desenvolve bem, com tramas e subtramas que serão exploradas nos livros seguintes (sim, já existem mais dois publicados nos EUA e mais um sai esse ano). Conforme as páginas passam, é notável o desenvolvimento e amadurecimento de Sydney como personagem: a coadjuvante se torna uma boa protagonista.

O livro não é repleto de ação como “Vampire Academy”, mas o lado de construção de personagem é mais bem desenvolvido até por razão das limitações de Sydney. Por exemplo, para ela – para todos, para falar a verdade –, o relacionamento entre humanos e vampiros é considerado pecaminoso, imoral. Mas como fica quando ela e Adrian precisam passar mais tempo juntos por inúmeras razões? Não vou dar spoilers de “Laços de Sangue” aqui e ainda não li os outros dois, mas aposto que a situação entre Sydney e Adrian vai escalar.

“Laços” é um ótimo livro de estreia para um spin off, pois introduz o novo ambiente e novos personagens, contextualiza os que já conhecemos e dá o tom para os temas a serem explorados, que parecem ser até mais profundos e próximos da realidade do que em VA. Por exemplo, essa imoralidade entre raças é um que pode facilmente ser colocado no mundo “real” como sendo preconceito.

Original, bem escrito e com um excelente gancho ao final, “Laços de Sangue” mantém a atenção do leitor desde o início. Mais um ponto para Richelle Mead.

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2 comentários sobre “A calmaria antes da tempestade

  1. Bloodlines! *-*
    Eu li Vampire Academy por influência sua hahaha! Você falava tanto da série e do Dimitri, que eu tive que ler. E foi uma experiência maravilhosa, porque eu amei!
    Mas aí veio Bloodlines e roubou completamente o post de queridinha…
    Eu continuo gostando de VA. Continuo gostando do Dimka. Mas a série Bloodlines tem um desenvolvimento muito maior dos personagens, e eu estou amando isso! É como você disse: Sydney passou de uma coadjuvante para uma boa protagonista!(Eu torci muito o nariz quando descobri que a Sydney que ia ser a protagonista… Mordi a língua!). E conforme a série vai acontecendo, a Sydney (e o Adrian também) tem um desenvolvimento tão lindo que eu não consigo falar de Bloodlines sem um sorriso no rosto e uma vontade de sair abraçando os livros! Ou seja, lendo os três livros, eu posso dizer que eu gosto mais da Sydney e do Adrian do que da Rose e do Dimitri, e eu nunca pensei que fosse dizer isso! Richelle Mead consegue realmente surpreender…
    Se você achou que o gancho no final de Bloodlines foi muito bom, prepare-se para o de The Golden Lily hahaha!

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