A Rainha Normanda

O ano é 1002 e a Inglaterra sofre com saques e pilhagens constantes dos vikings, para tentar resolver o problema o Rei  Æthelred aceita se casar com a irmã do duque da Normandia, Emma. Essa é a trama do primeiro livro da trilogia de Patricia Bracewell sobre a Rainha Emma da Inglaterra.

São raras as mulheres retratadas na idade media, afinal a historia dessa época é contada por homens e a eles só os próprios importam, mas a Rainha Emma, no final de sua vida, encomendou escritos que contam parte de sua vida,  Encomium Emma Reginae, considerado um importante documento histórico. É baseado nesses escritos que Bracewell cria sua trilogia. O  Encomium Emma Reginae não conta a história do casamento de Emma com Æthelred e, talvez por isso, Bracewell tome tantas liberdades históricas, liberdades que ela mesmo confessa no final do livro.

Independente da veracidade histórica, o livro é uma ótima leitura sobre as tramas políticas da Inglaterra medieval. Emma é uma inocente jovem que chega a uma terra estrangeira para se casar comum homem muito mais velho que, na verdade, não queria casar com ela. Para piorar ela é coroada rainha e é vista como uma ameaça pelos filhos mais velhos do marido. Tudo conspira contra a Rainha Emma e mesmo assim ela consegue se impor, conquistar aliados e muitos inimigos.

Dentro do universo da criação literária, Bracewell presenteia o leitor com uma rival para Emma, Elgiva, é filha de um nobre poderoso e tem como único objetivo na vida o poder. Para alcança-lo Elgiva faz qualquer coisa e ainda é usada como espiã pelo pai e os irmãos. É uma rival que perde poder ao longo do livro e poderia ser melhor explorada, principalmente no terço final do livro, mesmo assim é uma boa personagem que espero que volte no livro dois.

“A Rainha Normanda” me lembrou bastante a Saga Plantageneta,  pega um rico período da história inglesa e o transforma em um envolvente romance, um livro que visa mais envolver o leitor do que ser rigoroso com a exatidão histórica e isso não é um problema, é um artifício que funciona e que, efetivamente, enreda o leitor. Ler sobre a era medieval sob a ótica feminina é interessante e a narrativa construída por Bracewell torna a experiência ainda melhor. Agora é esperar o segundo volume da trilogia chegar ao Brasil, ele foi lançado no inicio do ano nos EUA, e ver que outras aventuras aguardam a Rainha Emma.

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