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A Última Festa

Fiquei muito em dúvida se pegava um thriller policial para ler durante a quarentena ou não. Será mesmo que precisava ler sobre mortes, traições, pessoas desequilibradas no meio do caos que o mundo virou? Resolvi tentar e foi uma ótima experiência. “A Última Festa” de Lucy Foley (tradução de Marina Vargas) é a primeira investida da autora no gênero e, mesmo com alguns problemas, prende o leitor.

Amigos que se conhecem desde a faculdade tem como tradição passar o ano novo juntos há mais de década. É essa reunião de nove pessoas, muitas delas que se conhecem a vida toda, o universo que Foley explora durante as pouco mais de 300 páginas. Os capítulos se alternam entre o presente e o passado e são contados por cinco dos 14 personagens que aparecem no livro. Isso já é um indicativo que os outros personagens são bem mais do que meros coadjuvantes, alguns deles não precisavam nem estar no livro mesmo.

A interação entre os amigos, o aumento da tensão entre os personagens, a dinâmica entre eles e como tudo isso vai culminar em um assassinato é bem escrito e desenvolvido. Fiquei querendo sempre chegar no próximo capitulo, saber o que iria acontecer em seguida, como as peças se encaixariam. Não há grandes surpresas, nem reviravoltas que um leitor experimentado em suspenses não seja capaz de prever, o forte do livro é te levar até ali, é forma e conteúdo, mesmo que o final não seja tão surpreendente assim.

O problema do livro são personagens e tramas que não servem nem mesmo para a trama principal caminhar. São excessos que poderiam ter sido evitados. Na ânsia por criar tramas paralelas que criassem pistas falas Foley se perdeu nelas. Samira e Giles são a personificação de personagens desperdiçados, o fato de terem e estarem com a filha no meio do caos que se torna a esta de ano novo não tem a menor importância e nem cria o conflito por contraste que era o objetivo. O conflito não acontece pelo simples motivo de não ser explorado mesmo. Os outros hospedes da propriedade são ainda mais desprezíveis para a trama, absolutamente tudo o que acontece e é revelado não precisava da existência deles. O livro é repleto dessas “barrigas” que não chegam a incomodar, mas fazem de um livro que poderia ser ótimo apenas bom.

Foi uma leitura que devorei em um dia, um pouco mais do que uma sentada e acabou com o meu receio de ler sobre assassinatos durante o período em que sair de casa não é mais uma opção.  

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