A Viúva Clicquot

O livro de Tilar J. Mazzeo morava na minha estante desde o começo desta década e, inspirada pelo nosso desafio de leitura, resolvi lê-lo. Uma ótima escolha mesmo que o livro não seja exatamente uma biografia.

Comprei o livro achando que leria uma biografia de uma mulher que no século XIX construiu um império mas o livro não é nada disso. Ser mulher no século XIX não era fácil e mesmo que você tenha construído um império e fosse reconhecida por isso ninguém se preocupava em preservar sua história. Não existem registros de quem foi Barbe-Nicole Clicquot Ponsardin o que foi preservado foi a historia do império que ela construiu e não a memória da mulher que o ergueu. Foi um pouco frustrante saber que leria bem pouco sobre a mulher Barbe-Nicole e ao mesmo tempo foi uma ótima leitura.

O livro é mais uma grande historia de como o Champanhe deixou de ser uma pequena produção artesanal e tornou-se uma grande indústria, como uma bebida tornou-se sinônimo de celebração, de festa, de alegria. É muito mais um livro sobre a história do champanhe do que de Barbe-Nicole e é envolvente o suficiente para encantar até mesmo alguém que bebe muito pouco como eu.

O champanhe sempre foi a bebida dos reis e as dificuldades de se preservar a bebida fazia com a produção não chegasse nem perto das milhões da garrafas vendidas hoje. É no final do século XVII e no século XIX, esse ultimo onde Barbe-Nicole é protagonista, que o champanhe se popularizou e tornou-se a indústria que hoje conhecemos. Uma série de inovações facilitaram a produção, sendo uma das mais significativas a melhor qualidade das garrafas, as famosas bolhas da bebida se formam nas garrafas de vidro e quando essas garrafas não são bem produzidas a pressão faz com que estourem.

É fascinante os detalhes que aprendi sobre a produção de vinho e especial do champanhe e não resisti e fui em busca de uma “garrafa da viúva” (como os europeus pediam um champanhe no século XIX) e posso garantir que o vinho espumante produzido pela empresa criada por Barbe-Nicole continua tão maravilhoso quanto descrito. A Veuve Clicquot tornou-se uma das mais famosas marcas de champanhe pela ousadia de sua criadora, Barbe-Nicole apostou alto quando as guerras napoleônicas terminaram e isso lhe garantiu conquistar o mercado Russo e fez sua fortuna. É dela também a criação de uma inovação que acelera feitura da bebida sem perder a qualidade, sua maior contribuição para a indústria.

É triste que se saiba tão pouco sobre uma mulher tão extraordinária, que assumiu uma empresa familiar antes dos 30 anos e quando se aposentou quase 40 décadas depois tinha transformado a Veuve Clicquot em um império. Um brinde a Barbe-Nicole e boa leitura.

Compre aqui:

Submarino01 Saraiva Travessa Americanas Livraria Cultura

Um comentário sobre “A Viúva Clicquot

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *