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A Volta do Quarteto Fantástico

 

Eles são a pedra fundamental do império em que a Marvel se transformou. E mesmo assim estavam fora das prateleiras há três anos. Agora voltam a ser publicados com grande estardalhaço, e se ainda é cedo pra falar em volta triunfal, pelo menos no primeiro número a editora acertou no tom de saudade e emoção.

Recapitulando: quando terminaram as últimas Guerras Secretas (2015), um daqueles mega eventos que Marvel e DC volta e meia lançam pra reorganizar suas histórias e dar um gás no interesse dos leitores, Reed Richards (Senhor Fantástico), Sue Storm (Garota Invisível), e os filhos Franklin e Valeria desapareceram da nossa dimensão. Johnny Storm (Tocha Humana) e Ben Grimm (Coisa) acreditavam que eles haviam morrido. Mas na verdade estavam se dedicando a reparar os estragos feitos no Multiverso. Aqui na Terra, o Tocha Humana passou um tempo com os Inumanos, enquanto o Coisa se juntava aos Guardiões da Galáxia.

Reencontramos Ben sem esperança, já conformado a ir em frente com a própria vida ao lado de Alicia, aceitando a morte dos amigos. Johnny, pelo contrário, fica indignado e acusa Ben de desistir da família. Johnny tem certeza de que Reed, o homem mais inteligente do universo, está vivo e vai dar algum jeito de voltar com Sue e as crianças. E no finzinho essa esperança é recompensada. Dan Slott, que nos últimos anos vinha escrevendo o Homem-Aranha, acerta no humor e no relacionamento entre os personagens, parece saber exatamente a química que faz o grupo funcionar. Sara Pichelli tem um traço leve e divertido nas caracterizações.

O reencontro em si vai ficar pro próximo número, mês que vem. E também vamos ser apresentados a uma nova super-mega-vilã misteriosa, The Griever (algo como A Enlutada.)

Doutor Destino não está feliz

De quebra, esse primeiro número traz uma segunda história, com a volta do Dr. Destino. Ele tentou uma redenção em Guerras Secretas, mas agora está de volta como vilão carregado nos braços do povo de Latveria – o pessoal de lá andava com saudade da ditadura…

A primeira edição, Agosto de 1961

O Quarteto Fantástico surgiu em 1961 quando a Marvel, ainda chamada Timely Comics, estava à beira da falência. As tentativas de censura nos anos 1950 tinham tirado muito da energia dos quadrinhos. Stan Lee pensava em deixar o ramo pra realizar o sonho de se tornar um escritor sério, quando o dono da editora insistiu pra que ele criasse um grupo de super-heróis, já que a Liga da Justiça estava rendendo bem pra rival DC. Criou então um quarteto (um cientista brilhante, a bela assistente, o irmão adolescente e um piloto) que ganhou poderes depois de exposição a raios cósmicos durante o teste de uma nave espacial. (Meses antes, o soviético Yuri Gagarin havia se tornado o primeiro homem em órbita, e a corrida espacial era uma grande preocupação). A grande novidade que Stan Lee introduziu foi a dos heróis com problemas. O quarteto que ele imaginou vivia às turras. O Tocha Humana sempre implicando com o Coisa, que perdia a cabeça e saía quebrando tudo. Susan Storm, a Garota Invisível, demorou a se decidir entre o Senhor Fantástico e o bad boy Namor, o Príncipe Submarino. Ao longo dos anos, as aventuras do grupo guiadas pelo gênio do desenhista (e co-roteirista) Jack Kirby se tornaram mais cósmicas, com a introdução de personagens como o Surfista Prateado e Galactus, o devorador de mundos.

 

 

Uma das mais de 20 capas alternativas da nova revista

O motivo do cancelamento da revista em 2015 é polêmico. A Marvel falava em vendas baixas, mas embora não fosse das mais cotadas, ainda vendia mais do que outros títulos que foram mantidos. Um dos escritores recentemente afirmou que foi mesmo por causa do fracasso dos filmes produzidos pela Fox, principalmente o lamentável filme lançado naquele mesmo ano. A Marvel queria os direitos de volta, mas o contrato tinha uma renovação automática enquanto a Fox continuasse fazendo filmes. Colocar os personagens na geladeira teria sido uma forma de pressionar a Fox, tanto que o Quarteto foi banido de todos os produtos licenciados pela Marvel: camisetas, posters, etc.  E a volta da publicação acontece justamente no momento em que a Disney, dona da Marvel, compra a Fox num negócio de 71 bilhões de dólares. Ou seja, agora estão todos de volta pra casa – em todos os sentidos.

Um comentário sobre “A Volta do Quarteto Fantástico

  1. Uma amiga me chamou a atenção pra um detalhe: não seria “Mulher Invisível”, em vez de “Garota”? Gente, entreguei a idade… Originalmente era Garota, como nessa capa do número 1, “Invisible Girl”. Nos anos 80, John Byrne decidiu que ela já era mãe de família, não era mais uma garotinha, e passou a usar “Woman”. É que ao mesmo tempo estou (re)lendo as histórias originais do Quarteto, da era Kirby. Chegando agora no casamento.

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