Bond, James Bond

Quase uma semana antes de comemorarmos os 110 anos de Ian Fleming, o diretor Danny Boyle foi anunciado como o novo realizador dos filmes da franquia James Bond, com Daniel Craig ainda no papel título, mostrando que o personagem continua chamando atenção e levando fãs aos cinemas. James Bond nasceu na literatura pelas mãos de Fleming, mas, sem dúvida alguma, seus filmes se tornaram icônicos e cada ator que repetiu o famoso bordão é lembrado até hoje.

Escritor e jornalista nascido na Inglaterra, Ian Fleming trabalhou para a Inteligência Naval Britânica durante a Segunda Guerra Mundial e dessa experiência nasceram os livros sobre o agente secreto 007. O personagem nasceu em 1952 no livro “Casino Royale”, que foi um sucesso. A origem do famoso espião primeiro ganhou uma versão cômica em 1967, com David Niven no papel título. Em 2006 decidiram fazer o reboot da franquia e “Casino Royale” ganhou uma versão cinematográfica oficial com Daniel Craig estreando como Bond.

Fleming lançou onze livros da série James Bond, além de dois contos, entre 1953 e 1966 (dois anos após sua morte). James Bond é um espião do Serviço Secreto de Inteligência Britânica, o MI6, que atua sob o codinome 007, além de comandante da Reserva Naval Real. Seus livros foram traduzidos em todo o mundo e são publicados até hoje, já tendo passado da marca de 100 milhões de livros vendidos. Após a morte de Fleming, em 1964, oito autores já escreveram histórias de Bond dentro da série de livros, entre eles: Kingsley Amis, Christopher Wood, John Gardner, Raymond Benson, Sebastian Faulks, Jeffery Deaver, William Boyd e Anthony Horowitz, que escreveu “Trigger Mortis”, em 2015, que foi recebido de forma dividida entre os fãs do personagem.

Desde sua criação em 1953, as aventuras de James Bond já foram adaptadas para televisão, rádio, quadrinhos, videogames e filmes. A franquia 007 é uma das mais rentáveis de todos os tempos, que dura 56 anos, com vinte e quatro filmes e seis atores que já vestiram o famoso smoking, tomaram seus martines agitados e não mexidos e repetiram a frase: “Bond, James Bond”. Uma franquia com trilha sonora própria, já que cada filme ganha uma música tema de abertura que é tão importante quanto o lançamento de cada um dos filmes.

Tudo começou em 1962 com Sean Connery, talvez o favorito da maioria dos fãs, com “Dr. No”. Ursula Andrews foi a primeira Bond girl, deixando sua marca com a famosa cena que sai do mar com um biquíni branco (e que foi repetida por Halle Berry em 2002 em “Um Novo Dia Para Morrer”). Connery foi Bond por quatro filmes, sendo substituído por George Lazenby em “A Serviço de Vossa Majestade” em 1969, mas o ator escocês voltou a representar o papel em “Os Diamantes São Eternos” em 1971. Roger Moore passou a ser o Bond dos anos 1970 quando assumiu o papel no filme “Viva e Deixe Morrer” em 1973. Em 1987, Timothy Dalton viveu Bond por dois filmes: “Marcado para a Morte” e “Licença para Matar” de 1989. Entre Moore e Dalton, a franquia estava desgastada e os filmes já não rendiam tanto dinheiro. Seis anos depois, Pierce Brosnan trouxe o personagem de volta às telas com “Goldeneye” em 1995. Apesar de divertidos, os filmes passaram a ser muito mais de ação do que focados na trama. Em 2002, com “Um Novo Dia Para Morrer”, o último estrelado por Brosnan, todos acharam que não haveria mais novos filmes de James Bond. Com um Bond envelhecido, cansado e um título que poderia significar que aquele era o fim do personagem.

Em 2006 resolveram que era a hora de reinventar o famoso espião, assim a franquia ganhou um reboot e Daniel Craig era o novo Bond em “Casino Royale”.  Ao contrário de Connery lá na década de 1960, James Bond ressurgia mais bruto, um espião em início de carreira que precisava ser lapidado. A partir dali uma nova geração assistiria como surgiram todos os traços que caracterizavam o personagem. Outra novidade era Judi Dench como M, chefe de Bond no MI6, uma inovação e tanto dentro de uma franquia mais do que famosa por enaltecer os traços machistas do personagem. É interessante ver Bond tentar lidar com uma nova era, sem mulheres objeto para serem usadas por ele. Em 2015, “Spectre” mostra essa mudança de tom do personagem que começa a achar que talvez precise se aposentar se não mudar seus métodos. Nele, Monica Belucci e Léa Seydoux ganham mais força ao lado de Bond e deixam de ser apenas Bond girls. Desde “Skyfall”, de 2012, a grande homenagem ao personagem feita pelo diretor Sam Mendes pelos 50 anos da franquia, que Bond perdeu seu charme cafajeste e ganhou ares mais modernos.

O legado de Fleming parece que ainda permanecerá vivo por muitos anos, despertando debates sobre se a franquia deve ou não seguir os novos tempos. Será que ainda há espaço para o “clássico” Bond mulherengo ou é hora de talvez até ver uma mulher agir a serviço de Vossa Majestade sob o número 007? Ou talvez um ator negro? Desde 2015, quando “Spectre” foi anunciado como o último filme de Craig como Bond que muito se especulou quem deveria tomar seu lugar, um dos nomes a ser mais citado foi Idris Elba, despertando uma onda de racismo e comentários preconceituosos para o lado do ator. Mas Elba seria, sem dúvida, um excelente Bond. Ao mesmo tempo, atrizes como Gillian Anderson e Charlize Theron foram também citadas como possíveis excelentes versões femininas de Bond. Infelizmente parece que ainda vai demorar para uma mudança desse porte acontecer. A esperança de ver pelo menos Elba vestindo o famoso smoking ficou para o futuro, porque em 2019 James Bond volta ainda vivido por Daniel Craig, ao que tudo indica.

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