Buridan – volume 1

Ruth Rocha e Ana Maria Machado não são apenas duas grandes escritoras brasileiras, são também duas das responsáveis pelo meu amor por livros. Foram as suas historias, lidas quando criança, que me encantaram e me fizeram entrar nesse mundo encantador da literatura. Então quando, em uma palestra na Bienal do Livro, as duas citaram o escritor francês Michel Zevaco e seus romances de capa e espada como ótima leitura e como adoro esse tipo de romance de aventura fui buscar. Não foi fácil, mas com a ajuda do Estante Virtual, consegui os cinco volumes de “Buridan”.

“Buridan” é um romance sobre o caso da Torre de Nesle. Eu nunca havia ouvido sobre esse caso mas em uma dessa coincidências inacreditáveis no momento em que buscava os livros de Zevaco estava lendo os sete volumes de “Os Reis Malditos” que conta os acontecimentos da Torre de Nesle. Para os que não sabem nada sobre o caso. O caso da Torre de Nesle foi um escândalo que envolveu três princesas francesas, Margarida de Borgonha, casada com Luis x, Branca de Borgonha, casada com Carlos IV, e Joana de Borgonha, casada com Felipe V. As duas primeira princesas eram adulteras e seus encontros amorosos aconteciam na Torre de Nesle, a terceira princesa sabia dos encontros e se calou, as três foram presas por Felipe, o Belo, sogro das três e apenas Joana acabou sendo libertada quando seu marido se tornou Rei. Zevaco mistura esses personagens históricos e a lenda da torre, que diz que uma rainha da frança passava as noites com seus amantes no local e ao amanhecer os atirava no Sena. A lenda diz também que o professor de filosofia João Buridan teria sobrevivido a queda.

O livro de Zevaco faz o samba do crioulo doido com a história da França, muda parentescos, datas de acontecimentos, enfim mexe no que for necessário para que seu romance se desenvolva. “Buridan” é um típico romance de capa e espada, é cheio de pequenas intrigas, de filhos desaparecidos, amores fulminantes, donzelas desamparadas, desejos de vingança, muita traição. Nada é muito surpreendente e mesmo assim diverte bastante, é uma leitura leve e bastante inocente. Buridan é um herói virtuoso e apaixonado por Mirtila e os poderosos da França são, como todos os vilões nesse tipo de romance, meio lentos em sua reação. Isso monta o cenário ideal para muitas aventuras e ainda mais disputas em que o herói sai sempre vencedor. É diversão pura. O fato de Zevaco conversar com o leitor de quando em vez dá um toque a mais, eu adoro quando o autor conversa com o leitor.

Tenho que admitir que quando Margarida de Borgonha, a rainha sanguinária, manda seu capanga colocar seu amante em um saco e jogá-lo do alto da Torre de Nesle achei ela meio sem criatividade. Deixe-me explicar, o livro diz que Margarida tinha leões que ela adorava, não era mais interessante dar os amantes aos leões? Se tivesse feito isso ela teria muito menos problemas com os corpos que aparecem no Sena. É verdade que essa minha solução acabaria com boa parte da lógica do romance, mas que seria um assassinato bem mais legal, isso seria. Quem sabe nos próximos volumes da saga isso não surge como solução?

Vou intercalar a leitura da saga com outros livros, quando ler os demais volumes conto mais sobre as aventura de João Buridan e digo se me aventurei a comprar mais livros de Zevaco. Devo dizer que já ando buscando nos sebos outras sagas dele.

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