Caitlin Doughty no Brasil

Aqui na redação do Cheiro de Livro, ficamos MUITO empolgados com a editora DarkSide confirmou a vinda da autora Caitlin Doughty ao Brasil. Conhecida por aqui por seu livro “Confissões do Crematório”, Caitlin veio ao nosso país não somente para lançar sua segunda obra, “Para Toda a Eternidade” (ambas traduzidas pela incrível Regiane Winarski), mas também para participar de uma conferência para donos de casas funerárias. E ela é dona de uma na Califórnia.

Então Caitlin conheceu vários de nossos cemitérios em São Paulo e depois de atender fãs por lá, além de abraços e carinho, ganhou uma virose monstra que a deixou de cama no Rio de Janeiro, mas não a impediu de esbanjar simpatia, humor, conhecimento e carinho para os fãs cariocas. Encontramos Caitlin e a equipe diva da DarkSide no Teatro Solar Botafogo que, apesar do nome lindinho, fica localizado na frente do Cemitério São João Batista. Perfeito, né?

O papo foi bem descontraído. Caitlin tem um humor sensacional! Não sei se é porque lida com com pessoas enlutadas, ou porque tem um ponto de vista bem objetivo sobre a morte, mas o resultado é uma pessoa agradabilíssima e que dá vontade de ficar conversando durante horas, sobre tudo!

Ela contou algumas histórias engraças e curiosidades sobre seu trabalho como agente funerária, falou sobre dificuldades que enfrentou e ainda enfrenta em um ambiente muito tradicional e machista (até lidando com a morte tem isso!) e uma curiosidade: quando o assunto é sepultamento, nós brasileiros estamos a frente dos americanos no sentido que reutilizamos os jazigos em um curto espaço de tempo (geralmente, três anos, se o contrato não for renovado), enquanto os americanos não usam esse sistema.

Perguntaram para Caitlin se ela, em todos os seus anos de trabalho e pesquisa sobre a morte, se ela encontrou algo que a chocasse. Ela disse que não, mas citou alguns costumes em culturas diferentes da nossa como na Indonésia, onde é normal mumificar parentes falecidos e coexistir com eles em casa. Por exemplo, o guia dela lá disse que dormiu ao lado da múmia de um parente quando ele era pequeno e fez isso durante muitos anos. E é algo normal para eles. Então não a chocou, mas o que a surpreende é como as pessoas lidam de forma natural com a morte – que é algo natural! – quando assim é tratada. O que pode parecer estranho para nós, é normal para outros e a deixou fascinada como ela assimilou essa diferença em costume quando entendeu a normalidade dela.

Ela brincou com o fato de que nos EUA, as perguntas que fazem para ela em eventos com leitores é algo do tipo “posso ficar com o crânio da minha mãe depois que ela falecer?”(a resposta é não) enquanto nós, brasileiros, fazemos perguntas muito mais existencialistas. Ela amou isso!

Para finalizar o papo e antes de partir para os autógrafos (que foram mais de 200 livros!), foi mencionado um vídeo da autora (o canal dela no YouTube é Ask a Mortician e é maravilhoso!) no qual ela diz que é importante ter um bom relacionamento com a morte. Então perguntaram como é o relacionamento dela atualmente com a morte.

“Nada melhor do que estar doente para pensar na morte e acreditem, tenho pensado muito na minha morte nos últimos dias”, brincou ela sobre sua virose. “Acho que para ter um relacionamento bom com a morte, é importante ter um bom relacionamento bom com a vida. Eu sempre acho que deveria estar fazendo mais, conquistando mais, ajudando mais pessoas. E parece que tenho um pequeno ceifador no meu ombro me dizendo que vou morrer um dia e que preciso fazer mais e mais. Mas se o foco é só realizar e não aproveitar, você não está exatamente vivendo e se você não aproveita a sua vida, não tem como ter um bom relacionamento com o fim dela. Então, no momento, estou trabalhando no meu relacionamento com a morte, que é um relacionamento que temos que trabalhar como qualquer outro. Paradoxal, eu sei, mas se você lida bem com a sua vida, vai lidar bem com a sua morte”.

E agradeceu por terminar o papo num tom tão brasileiro. Uma fofa!

Em breve, você confere aqui as resenhas dos livros da Caitlin, mas já fica a dica: todos nós vamos morrer um dia, então leiam muito e aproveitem tudo!

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