De panelas e sorvetes

Dia 25 de julho foi Dia Nacional do Escritor e, como sempre, me pego refletindo sobre minhas escolhas, minhas decisões e meus objetivos. Acabo escrevendo um conto, um poema, umas frases – que seja, um tweet –, para não deixar o dia passar em branco e, assim que me sentei para começar a praticar o ofício, a frase “caramba, eu comprei panelas!” surgiu na tela do computador à minha frente.

Meus dedos ganham vida, como já disse na coluna anterior, meus personagens surgem como bem entendem, estou aqui apenas para receber e transmitir a mensagem, mas qual não foi minha surpresa quando a personagem principal se revelou uma panela?

Muito curiosa, permiti que a energia que ainda existia em mim (terça-feira foi um dia cansativo) guiasse minhas mãos para o passado, o presente ou o futuro das tais panelas. Era um texto autobiográfico mas, ainda assim, aquilo me intrigou. As mãos se moveram cada vez mais rápido, à medida que eu descrevia um dia da semana passada em que resolvi cancelar meu cartão de crédito e a atendente do banco foi muito atenciosa ao me dizer que eu devia, antes de fazer o cancelamento, trocar meus pontos do programa, senão perderia tudo.

E lá fui eu pesquisar o que poderia adquirir com a minha fortuna de catorze mil pontos. Depois de muito garimpar, e de descobrir que não havia prêmio algum interessante nesses programas de pontos, vi um conjunto de panelas na “promoção” e fiz minha primeira troca. Com os pontos que sobraram troquei por códigos que valiam uma casquinha e um sundae do Mc Donald’s.

Ok. Agora vamos entender melhor a situação.

Quando reli o que havia escrito, um relato apaixonado de troca de pontos, veja bem, de um cartão de crédito que eu tinha há – God knows – 7 anos ou mais, por panelas e sorvetes do Mc Donald’s… foi aí que eu parei e me perguntei “o que diabos estou fazendo com a minha vida?”. Como uma pessoa em sã consciência troca pontos de cartão de crédito por panelas e sorvetes? (E ainda escolho escrever sobre isso – no dia do escritor!! – não uma, mas DUAS vezes, porque afinal virou tema desta coluna de julho!

Aí me bateu!

Veio aquela luz, a esmagadora das dúvidas. Santa luz dos escritores. Eu não tenho como saber exatamente o que quero da vida se não enxergo o que ela tem para me oferecer. E é exatamente como acontece na escrita. Enquanto eu não sento e escrevo, é como se só existisse um fundo branco vazio. Depois da primeira frase, ainda que ela seja “caramba, eu comprei panelas!”, um universo inteiro de cores e textura e perfume se revela.

Pior que não é incomum eu praticar exercícios de escrita como esses de diário, cenas do dia a dia, um relato, uma conversa, um pensamento. Afinal, são necessários. Como todo bom profissional requer conhecimento e prática, com a escrita não podia ser diferente. Estou constantemente escrevendo o que me vem à cabeça, até sobre panelas povoando meu intelecto nebuloso.

Mas, desta vez, percebo que não foi apenas um exercício… as panelas e os sorvetes salvaram a minha vida.

É sério! Estava travada no livro novo há alguns dias e somente agora a ficha caiu de como poderei solucionar todos os meus problemas; preciso encontrar as panelas e os sorvetes na história nova!

Ah! Mas se você quer saber mais sobre panelas e sorvetes, então, hoje fui na loja do Mc Donald’s cadastrada na promoção dos pontos trocar meu código por um sundae e eles disseram não saber do que se trata essa promoção. (Yep! Também não acreditei! Surreal!) As panelas, no entanto, chegaram dos correios anteontem… e até agora vão bem, obrigada, assim como o livro novo, que finalmente voltou a esquentar, ainda que a história não se trate de panelas! =P

#Fui

Um comentário sobre “De panelas e sorvetes

  1. hahahahahah Muito bom. Das risadas que a constatação de que 14mil pontos valeram apenas panelas e sorvetes à reflexão de que as mesmas panelas e sorvetes salvaram o rumo do seu livro – que loucura.

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