Deadpool 2

Em 2016 quando foi lançado o primeiro filme sobre o Deadpool ninguém podia imaginar o que iria acontecer, poderia ser um fracasso ou um enorme sucesso, devido ao tamanho do risco que os produtores e o ator Ryan Reynolds decidiram correr. O resultado é que valeu muito a pena. Deadpool já havia aparecido em “X-Men Origens: Wolverine”, interpretado por Reynolds mesmo, em um dos momentos de maior decepção para os fãs do personagem. Mesmo assim a Fox decidiu investir em um filme solo do personagem, o que causou calafrios em muitas pessoas. Outros personagens da Marvel não tiveram tanta sorte com o estúdio que preferia não arriscar, cometendo filmes como “Quarteto Fantástico” e “Wolverine Imortal”. Assim, em 2014, Ryan Reynolds e o diretor Tim Miller “vazaram” cenas que poderiam ser de Deadpool e elas foram muito bem recebidas pelo público, causando uma comoção em cima do que sairia a partir dali. Bom, o resultado foi um filme divertido, sem moral, que agradou tanto os fãs do personagem como aqueles que não o conheciam.

A questão então passou a ser como continuar com esse sucesso sem estragar tudo? Parece que a Fox aprendeu a lição e decidiu continuar com o time que estava ganhando. Deadpool 2 (EUA, 2018), acreditem ou não, é melhor que o primeiro filme. Reynolds, Rhett Reese e Paul Wernick novamente assinam o roteiro, mas a direção é de David Leitch, de “John Wick” e “Atômica”. Não há dúvida que Reynolds nasceu para esse papel, ele vestiu realmente a roupa vermelha do anti-herói e conseguiu superar o fiasco de sua presença lá no filme do Wolverine. Nesse segundo filme, o ator consegue estar mais à vontade no papel e volta mais escrachado e solto, se é que isso é possível. Se o primeiro filme foi um tiro no escuro e por isso foi preciso muita imaginação e originalidade para que ele desse certo, a continuação já veio envolta em uma áurea de sucesso, o que pode ser ruim às vezes. Felizmente decidiram apostar mais alto dessa vez, conseguindo um excelente resultado.

Tudo bem que dessa vez havia mais dinheiro para apostar e investir nessa nova produção, o que acarretou em ótimas participações especiais. No primeiro filme descobrimos como Wade Wilson se tornou Deadpool, agora ele é um mercenário que extermina os caras maus. Depois de um evento traumático, ele decide fazer o que é certo quando conhece um menino mutante, Russell Collins (Julian Dennison), que tem o poder de colocar fogo nas coisas. O problema é que um soldado cibernético mutante do futuro, conhecido como Cable (Josh Brolin) volta ao nosso tempo para matar Russell e Deadpool decide protege-lo com a ajuda de uma equipe que ele mesmo cria, a X-Force.

Com muito mais referências aos X-Mens, piadas em cima do universo cinematográfico da Marvel e da DC, além de referências constantes ao universo nerd e pop, Reynolds e elenco transformam o que poderia ser um filme, sobre a superação do anti-herói, em uma divertida produção que mostra que como uma história é contada pode ser mais importante do que a própria história. Outro trunfo do filme é conseguir ser amoral, violento e muito engraçado sem ser apelativo. Todas as piadas são muito bem construídas, há muitas alfinetadas para todos os lados em cima de tudo que já foi construído no universo pop sobre super-heróis, mas não há um momento constrangedor ou de mau gosto. O que prova que é possível realizar um filme com o nível de escracho como Deadpool sem apelar, usando inteligência e um excelente texto.

Além de Reynolds há a impressão de que todo o elenco está se divertindo muito, principalmente Josh Brolin que encarna muito bem o Cable e consegue ser o contra-ponto perfeito para Deadpool. Morena Baccarin, Stefan Kapičić, Brianna Hildebrand, T. J. Miller, Leslie Uggams e Karan Soni, repetem seus papeis no filme, que ganha ainda a excelente participação de Zazie Beetz como Domino. A trilha sonora mais uma vez é um personagem a parte do filme e quantidade de easter eggs que surgem é o que fecha o filme com chave de ouro. Mais uma vez acertaram o tom, Deadpool 2 é outro grande acerto da Fox que parece ter perdido o medo de arriscar, conseguindo realizar um filme superior ao primeiro. Vida longa ao Deadpool, que não morre mesmo, então que continue por aí nos divertindo por muito e muito tempo. Ah, importante: Fiquem depois dos créditos, vale a pena.

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