Ela Disse

Desde sempre adoro ler sobre bastidores de grandes reportagens, de grandes coberturas jornalísticas. É desses gêneros literários que sempre me atraem. Quando vi “Ela disse” (tradução Débora Landsberg, Denise Bottmann, Isa Mara Lando e Julia Romeu) de Jodi Kantor e Magan Twohey estava para sair, corri para colocar na lista de desejos. As duas repórteres do New York Times escreveram sobre os abusos de Harvey Weinstein e colaboraram com a crescimento do movimento MeToo. Daquelas reportagens que empurram o mundo para outro rumo.

Todo o livro que conta bastidor de reportagem me deixa intrigada em conhecer mais o tempo em que tudo aquilo estava sendo investigado. Mesmo que o MeToo tenha sido “ontem” em termos históricos é um “ontem” distante onde um outro normal era o normal. É preciso ler com esses olhos, compreender o tempo e os riscos que tudo o que estava para ser revelado representavam naquele momento.

O livro se divide em dois momentos: primeiro a investigação sobre o caso Harvey Weinstein e depois o depoimento de Christine Blasey Ford no congresso americano.

A primeira parte é mais eletrizante e há momentos que chegam ao inacreditável. Harvey contratou uma firma israelense para se inserir na investigação e tentar desacredita-la, por exemplo. É também mais envolvente porque sabemos o que aconteceu com Harvey e as mudanças encadeadas pelo corajoso depoimento de um punhado de mulheres. Como se repete no livro a exaustão ser a primeira é sempre o mais difícil. Conhecia pouco da investigação em si e me surpreendi com a importância de Gwyneth Paltrow na construção da matéria. Essa primeira parte tem grandes lances de investigação e dá quase para montar um filme.

A segunda parte nos traz de volta a realidade. Christine Blasey Ford denunciou e se expôs para denunciar um indicado a suprema corte americana e apenas ela sofreu as consequências. Ela deu entrevistas, foi ao congresso e mesmo assim o homem que a assediou tornou-se membro da suprema corte. Ainda temos um caminho a percorrer e isso faz o livro terminar em uma nota para baixo, mesmo que no final das contas toda a jornada das duas jornalistas tenha derrubado Harvey Weinsten, mudado práticas da indústria do entretenimento e dado voz a um movimento.

É um livro importante de ser lido. Mostra que é possível mudar estruturas e ao esmo tempo mostra que ainda há muito ser melhorado.

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