Harlan Coben conquista a Bienal de SP

Inteligente, simpático e cativante, o autor bestseller conquistou ainda mais fãs.

IMG-20140823-WA0000Sábado, 8h, São Paulo. Você estaria dormindo, não? Eu estava de pé, agoniada, aguardando a chegada do autor Harlan Coben ao Holiday Inn do Anhembi, que fica COLADO na Bienal.

Pontualíssimo, ele chegou de terno azul, quase dois metros de altura e um sorriso sincero no rosto. Primeira reação ao nos ver? Apertou a mão de cada um, agradecendo nossa presença. Só ali, já valeu a pena!

Jornalista e Hermione que sou, primeira mão jogada para cima para fazer pergunta foi a minha. Dali em diante, foi um mar de perguntas muito bacanas feitas por blogueiros (cinco!!!), livreiros e fãs. Confira abaixo um pouco do que rolou na entrevista.

– O autor Michael Connelly disse uma vez que escrever thrillers ajuda se começar do fim para o início. Assim fica mais fácil escrever o desfecho e vir semeando pistas ao longo do livro. Já Harlan Coben – depois de falar que Connelly é uma das pessoas favoritas dele no mundo – diz que ao sentar para escrever ele tem ideia do início e do final do livro. O meio ele descobre ao escrever. “E é engraçado porque só consigo focar em um livro, uma história de cada vez. E sempre que acabo, não importa o quanto já publiquei anteriormente, sempre acho que nunca mais terei ideias para novos livros. Mas aí, tempo depois, isso passa. Ainda bem!”, disse Coben, rindo.

– Bloqueio de escritor (o famoso “writers block”) é real ou mito, perguntei. A resposta foi muito bem humorada. Coben disse que é real, mas ele finge não ser. “Quando tenho bloqueio, finjo ser um operário. Um bombeiro não pode acordar e dizer ‘oh, hoje não posso concertar privadas’. Eu acho que não posso acordar e dizer que não posso escrever. Então me entedio até a morte e o bloqueio some. Ou ele some ou eu fico maluco”, brincou.

– Quando a pergunta “Como você se tornou autor?” foi feita, Harlan Coben riu e não poupou sarcasmo. “Sempre que fazem essa pergunta, eu faço brincadeiras com as respostas de meus colegas de profissão. Muitos dizem ‘ah, desde que eu estava na barriga da minha mãe eu sempre quis ser autor’. Mentira! Você se descobre autor porque não consegue fazer outra coisa. Se eu não escrever, eu não sei fazer mais nada, eu não alimento minha família. Quando jovens que querem ser escritores me pedem conselhos, digo para eles seguirem outra profissão, porque se eles realmente querem ser escritores, não seguirão meu conselho. Quem e escritor não consegue ser outra coisa. Você precisa escrever porque é o que você faz, é quem você é. Eu comecei a escrever cedo e tudo que escrevi era muito ruim. O meu primeiro livro publicado foi o meu décimo livro escrito”.

– E os personagens? São baseados em pessoas reais? Harlan diz que sim. Seu detetive mais famoso – Myron Bolitar – tem partes dele. Ele é melhor atleta do que o escritor e tem melhores tiradas, mas tudo é parecido de uma forma ou de outra. “Já o Win é baseado no meu colega de faculdade. Somos amigos até hoje e ele sempre que pode tira vantagem de ser semelhante ao personagem para conseguir reservas melhores em restaurantes”, revelou, rindo.

– Tem algum livro seu que é seu preferido? Harlan disse que não, que todos são como seus filhos e é impossível de escolher o preferido. Mas completou: “Sempre que estou lançando um livro, este é o meu preferido porque eu olho para trás e acho tudo que já escrevi muito ruim. Somente os maus autores acham que são bons. Mas nunca lancei nada que não refletisse o meu melhor na época que escrevi. Sempre dou o meu melhor em cada livro e não deixo passar adiante se não estou feliz com o resultado”. Tem como não admirar um cara desses?

– Sobre dicas para se tornar um escritor, Harlan Coben não é mesquinho e dá o “caminho das pedras” para todos: “São três itens que não podem faltar. Um é inspiração. Você precisa achar o que te inspira e se manter inspirado para ter boas ideias. O segundo é suor. Para se tornar um escritor você precisa escrever. Ninguém vai fazer o trabalho por você. Pesquisar não é escrever. Criar personagens não é escrever. Escrever é escrever e você precisa fazer isso. E o terceiro é desespero. O medo de não colocar comida na mesa me move a escrever. O medo de não ser capaz de fazer qualquer outra atividade, me faz escrever. Escrita é uma atividade que quantidade inevitavelmente levará a qualidade. Mas é preciso perseverar e continuar a escrever sempre”.

– Vários estúdios de cinema já compraram direitos para levar para a telona livros de Coben, inclusive Hugh Jackman foi cotado para interpretar o protagonista em “Seis Anos Depois”. Mas nada de datas para lançamento.

– Sobre literatura brasileira. Ele conhece? “Infelizmente pouquíssimos escritores contemporâneos brasileiros são traduzidos para o inglês. Isso está mudando agora com outros países, como foi com Stieg Larsson. Quem sabe o próximo Larsson seja brasileiro. Seria muito bom”.

– Por último: e os fãs brasileiros? Harlan Coben disse que tem seus livros publicados em mais de 40 idiomas diferentes, mas os fãs brasileiros são os mais entusiasmados e ativos nas redes sociais. Ele garante que, por mais que ele não responda a tudo, ele lê tudo. “Se eu quero te convencer a ficar comigo por centenas de páginas, porque não leria duas frases que você escreveu no Twitter? É o mínimo que posso fazer”. Apaixonante!

Depois da conversa, Harlan atendeu a todos com fotos e autógrafos e se dirigiu para a Bienal do Livro de São Paulo, onde realizou palestra e atendeu os fãs no estande da Editora Sextante/Arqueiro. Nunca uma careca foi tão beijada! E Harlan Coben adorou e foi atencioso com cada um. Experiência para ficar na memória!

Um pensamento em “Harlan Coben conquista a Bienal de SP”

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