Mais um vampiro para a estante

Preciso dizer que essa moda de vampiros está me levando á falência. E o pior é que gosto deles não porque são imortais, lindos e poderosos ou por alguma vontade doentia de me tornar uma criatura da noite – ou pior, achar que já sou uma (acreditem, tem gente assim!). Gosto deles porque geralmente vêm envoltos de tramas recheadas de tensão romântica* que, confesso, é meu vício.

De uns tempos para cá, a literatura jovem (a famosa Young Adult ou YA nos EUA) tem tomado conta das prateleiras brasileiras. São séries e mais séries de livros sendo publicados e conquistando leitores de todas as idades, sendo eles jovens ou apenas jovens em espírito. E, graças a Stephenie Meyer, os vampiros ganharam força nesse gênero, tornando os temas já abordados na literatura jovem, mais românticos ainda (lá vem o vício de novo!).

Entre os temas abordados em YA estão a insegurança da adolescência, a tomada das primeiras decisões que formarão o caráter dos personagens, o primeiro grande amor, a primeira grande decepção, entre outros. E quando entra na mistura um amor único e aparentemente impossível, melhor ainda!

Já deu para perceber como a moça aqui lê YA, né? Então, minha mais nova aquisição foi “Como se livrar de um vampiro apaixonado” (originalmente “Jessica’s Guide to Dating on the Dark Side”) e posso dizer que foi uma interessante experiência ler esse livro. A história é interessante: Jessica Packwood é uma adolescente aparentemente normal, filha adotiva de um casal de acadêmicos vegans e moradora do interior da Pensilvânia, nos Estados Unidos. Acostumada a lidar com situações totalmente voltadas para a lógica, seu mundo prático cai por terra quando ela conhece Lucius Vladescu, aluno romeno de intercâmbio que jura que é um príncipe vampiro e que está destinado desde o nascimento de Jessica – que, na verdade se chama Antanasia Dragomir e também é uma vampira – a se casar com ela.

O título original remete ao guia explicativo que Lucius entrega a Jess para que ela entenda as mudanças que estão acontecendo com ela durante a transformação. Um tipo de “guia da puberdade vampírica”. Com tantos livros sobre vampiros por ai – inclusive alguns que são guias sobre como conquistar um vampiro (ou seja, tosco!) – é fácil não achar que “Jessica’s Guide to Dating on the Dark Side” seja uma boa leitura. Mas o título em português já ajuda mais nesse sentido, até porque, até a metade do livro – ou até um pouco mais – Jessica realmente tenta se livrar de Lucius.

Depois de enfrentar o preconceito contra o título, comecei a ler “Como se livrar de um vampiro apaixonado”. Mas já de cara, a autora, Beth Fantaskey, fez algo que eu odeio em livros: ela conta de cara, nas primeiras páginas, qual o mistério do personagem e o que ele quer. Não gosto, mas decidi continuar lendo. Então entendi que realmente não posso julgar um livro pelos primeiros capítulos. Essa abordagem de Fantaskey foi fantástica, pois, ao longo da história, nós – assim como Jessica – passamos a conhecer e a entender Lucius melhor. E, também assim como ela, nos apaixonamos perdidamente por ele! Mas não é só do galã que “Como se livrar de um vampiro apaixonado” trata. A protagonista também arrasa em seus momentos “não me diga o que fazer!”. SNAP! Sério, ela amadurece a cada virada de página e dar gosto ler personagens e narrativas assim.

“Quando comecei a escrever a história, Lucius se tornou um personagem muito dominante, mas eu precisava que Jessica também fosse forte, então tive que achar uma maneira de equilibrá-los para que ambos tivessem poder no relacionamento. E acho que foi por isso que acabei abordando o cavalheirismo. Para mim é isto: é abrir a porta para mim não porque dependo de você ou porque não posso fazer isso sozinha, mas porque mereço a gentileza, porque tenho poder nesse relacionamento também. [risos]”, conta a própria Beth Fantaskey, a quem tive o prazer de entrevistar!

Um dos fatos interessantes de “Como se livrar de um vampiro apaixonado” é que ele não surgiu de uma vontade de escrever sobre vampiros, mas sobre adoção. Beth tem duas filhas adotivas e me contou que acredita que elas foram a inspiração para escrever seu primeiro livro. Para ela “por mais que seus pais biológicos sejam tão diferentes de você, é importante amá-los. É possível que eles te amassem muito, mas tiveram um motivo muito forte para ter que abrir mão de você”.

Ela não é uma fofa? Então passem no blog da Editora Sextante para ler a entrevista na íntegra que fiz com Beth Fantaskey. Lá ela fala sobre o que vem por ai no segundo livro, manda uma mensagem para nós, fãs brasileiros e muito mais! Aproveitem para ler também os capítulos do casamento de Antanasia e Lucius no hotsite dedicado ao livro . O pessoal da Sextante está traduzindo todos os capítulos!

* usei o termo “tensão romântica para traduzir caseiramente o “angst”. Adoro!

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