Mary Barton

Uma História Sobre a Vida em Manchester

É muito importante o prefácio que abre a edição brasileira de Mary Barton (Editora Record, lançado em 2017, 460 páginas), escrito por sua tradutora, Julia Romeu, que contextualiza toda a história e explica o momento político em que o livro surgiu. Esse romance vitoriano, escrito por Elizabeth Gaskell em 1848, tem todos os ingredientes de um romance daquela época, mas com um peso político nada comum para uma escritora do Século XIX.

O livro tem como trama central um triângulo amoroso, com Mary Barton no meio, a filha de John Barton, um sindicalista cartista que ficou viúvo. Ela se vê dividida entre o trabalhador Jem Wilson e o rico herdeiro Harry Carson, mas logo percebe que seu coração pertence mesmo a Jem. Harry e Jem acabam discutindo por causa de Mary e no dia seguinte Harry aparece morto, com Jem sendo preso acusado de ter matado seu rival. Dessa forma, o romance se transforma em trama policial, para descobrir o verdadeiro assassino de Harry.

Ambientado em Manchester em plena Revolução Industrial, o livro tem forte influência das ideias revolucionárias da época, com John Barton como principal porta-voz. Ele critica a classe rica, cita ideias cartistas e flerta com os ideais de Engels. Jem e Harry representam muito bem as diferenças de classes da Manchester da década de 1840, mostrando o interesse de Gaskell pelo assunto e o quanto uma escritora conseguia ir além de seu mundo protegido para retratar a realidade do seu mundo contemporâneo. Mesmo sendo filha e esposa de pastor, com uma base sólida burguesa, seu livro é visto como um importante tratado sobre as lutas de classe na Inglaterra.

Não bastando o fundo político que Mary Barton apresenta, ele também tem pinceladas feministas que são mostradas através da personagem Esther, tia de Mary Barton. Esther fugiu de casa há muitos anos e volta como uma mulher sem teto que acaba presa por vadiagem. Fora da cadeia, ela é um ponto importante dentro da história de sua sobrinha, porque decide que precisa ajudar Jem a ficar livre. Esther não tem orgulho de seu passado, não quer para Mary o mesmo destino que o dela, mas não se desculpa e nem se arrepende de suas escolhas, uma caracterização muito ousada e positiva para um romance vitoriano.

Quando se entende a importância política desse romance e as influências de Elizabeth Gaskell, Mary Barton se torna um livro muito mais interessante, porque, então, é possível ler nas entrelinhas e perceber a força dessa grande escritora do fim do Século XIX, despertando um interesse por suas outras obras.

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