Meia Noite e Vinte

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Daniel Galera é desses escritores que me conquistou de cara, foi amor à primeira leitura. Quando vi que ele tinha escrito um novo livro, “Meia Noite e Vinte”, fui logo comprar. A sinopse já me seduzia, grupo de amigos que tinha um e-zine no final do século passado se reencontra e relembra esse período da virada do milênio.

Tenho que dizer, antes de tudo, que faço parte dessa geração que estava nos seus 20 anos no inicio do milênio. A ultima geração que cresceu sem internet, sem TV a cabo, sem celular e que foi descobrindo as maravilhas do mundo conectado ao mesmo tempo que se tornava gente. Mesmo não tendo vivido Porto Alegre na virada do milênio, universo explorado por Galera no livro, vivi todo esse clima. Minha experiência com o tempo relatado faz toda a diferença na minha empatia com os personagens.

Aurora, Emiliano e Antero, todos entre seus trinta e quarenta e poucos anos, se reencontram em Porto Alegre no enterro de Duque, amigo morto em um assalto com quem eles produziam um e-zine Orangotango de 1998 até os primeiros anos do novo século. O livro é uma mistura de lembranças com a realidade de cada um deles. Deve ser muito mais legal para quem é de Porto Alegre, as referências são muitas a cidade de hoje e do passado, mas não ser de lá não é um problema.

Não é uma grande história, os outros livros de Galera são mais interessantes, mas tenho uma ligação afetiva com o universo que ele explora. Ajudou muito ter lido tudo pouco antes de um almoço com meus amigos de colégio. Não nos parecemos nada com o grupo mostrado por Galera e mesmo assim é impossível na fazer o paralelo. Aurora, Antero e Emiliano tem níveis de sucesso, frustração e fracassos em suas vidas, estão bem longe do que sonhavam quando escreviam no Orangotango. O livro é um misto de esperança e desilusão, de frustações e nostalgia. É interessante e ao mesmo tempo anda em círculos e não chega muito a lugar algum.

Tive a impressão que Galera queria revisitar aquele período de inicio de faculdade, de novas descobertas, do inicio da internet no Brasil e criou uns personagens para ilustrar o seu exercício de nostalgia. É um livro que fala para uma geração mesmo não sendo um grande livro. Toca apenas superficialmente em temas que mereciam ser melhor explorados. Comecei com uma expectativa muito alta, talvez. É um Daniel Galera, vale a leitura.

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