Melhores Amigas

Emily Gould é, atualmente, umas das vozes da geração milennials que é totalmente influenciada pela internet. Gould é cria da internet, já que começou sua carreira no site de fofocas Gawker, controversa por falar e escrever o que pensa, se envolveu numa briga virtual com Lena Durham, outra personagem importante da geração milennials. Curioso que tanto Durham quanto Gould tem o mesmo ponto de vista sobre a vida adulta, as personagens de Melhores Amigas (Editora Rocco, 2017, 254 páginas, tradução de Maria Clara de Biase), estão perto dos 30 anos, mas ainda não conseguiram descobrir muito bem como ser adultas.

Lá em 2012, o filme Frances Ha estreou no cinema na mesma época em que a série Girls começou a ser exibida, obras que quebravam o paradigma das mulheres bem resolvidas e com carreiras incríveis aos 30 anos. Uma geração com um excelente currículo acadêmico mas nenhuma experiência tentava entrar no mercado em uma época instável. Ao mesmo tempo, fazem parte de uma geração protegida por bolhas sociais criadas pela internet. O choque de realidade é bem grande para essa geração, principalmente para as mulheres, que além de precisarem correr atrás de trabalho precisam provar que são tão capacitadas quanto os homens. São mulheres que não querem ser perfeitas, que são feministas convictas e que não abrem mão de suas liberdades.

Essa confusão que é se tornar uma adulta e chegar aos 30 atualmente é muito bem retratada no livro de Gould, que usa sua própria experiência para inspirar uma de suas personagens, Amy. As amigas Bev e Amy tem um histórico familiar bem diferente, Bev vem de uma família muito religiosa do interior dos EUA, que vai morar em Nova Iorque e trabalhar em uma editora, onde conhece Amy, uma menina judia de família rica, bonita, elegante. Bev larga o emprego e Nova Iorque pelo namorado, o que acaba sendo um desatre. Já Amy vai trabalhar em um famoso site de fofoca, até que se envolve em uma controversa e é demitida. Bev volta pra Nova Iorque, passa a viver de empregos temporários e Amy vai trabalhar em um site menor.

O livro começa de forma leve, o que engana como o início de uma comédia romântica. Mas as vidas das amigas são bem mais complexas do que desencontros amorosos e conversas superficiais sobre possíveis pretendentes. Muito pelo contrário.  Bev não faz ideia do que fazer de sua vida em relação a emprego e ainda engravida, enquanto que Amy se percebe encurralada entre um relacionamento sem futuro e um emprego que odeia. Engraçado que mesmo que a linguagem tenha mudado, que surjam cada vez mais filmes e séries preocupados em mostrar que as mulheres jovens atuais também se preocupam com uma carreira estável, com aluguel, dinheiro e tudo o mais que envolve uma vida adulta, insistam em vender livros como esse de forma errada. A vantagem é que acaba sendo uma boa surpresa, onde acabamos encontrando uma história com a qual é fácil se identificar, se não com toda a história, com situações apresentadas nela.

A chamada geração milennials é muito criticada, rotulada como preguiçosa, fútil e mimada, mas qual geração nova não foi rotulada assim? As mulheres que chegam à idade adulta foram criadas com a internet, cresceram bem familiarizada com a internet e sabem usa-la a seu favor, além de entenderem que é uma poderosa arma. Emily Gould, Lena Durham e Greta Gerwig são vozes poderosas de uma geração de mulheres que quer um lugar ao sol, que sabem lutar, mas que também sabem que não são perfeitas e que ninguém é. Elas tentam quebrar as regras mostrando que é legal você ser como você é e que não há problema nenhum em chegar aos 30 anos sem saber muito bem o que você quer, porque quase ninguém sabe.

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