O Segredo de Heap House

Eu sou aquela pessoa tão fã de Desventuras em Série que se você me indicar um livro dizendo que lembra vagamente o trabalho de Lemony Snicket eu já tô lendo dentro da livraria, e foi isso que me atraiu em “O Segredo de Heap House”. Não precisei nem ler a sinopse, quando vi na capa a frase: “Uma encantadora mistura de Charles Dickens com Lemony Snicket”, não pude resistir. O romance de Edward Carey não decepcionou. Misterioso, original e com um toque de bizarro, O Segredo de Heap House lembra sim um tanto as histórias dos irmãos Baudelaire, e as ilustrações do autor parecem prontas para estrelar um filme de Tim Burton. Daqueles em que uma surpresa te aguarda em cada página, a história é muito original e fluída, daquelas que você começa sem sentir e termina querendo mais.

No livro acompanhamos a história de Clod, um jovem rapaz de 15 anos que vive nos “Cúmulos”, um lugar bastante distante de Londres, onde diversos objetos são descartados. Clod faz parte de uma família  muito rica chamada Iremonger, e mora com ela na “Heap House”, um aglomerado de construções e cômodos que formam um castelo meio bizarro, repleto de objetos inúteis e artefatos despejados, cercado por um enorme labirinto de lixo. Nesta mansão todos os moradores recebem um objeto ao nascer, e pode ser qualquer coisa, mas qualquer coisa mesmo. Clod ganha um tampão de ralos, que usa como se fosse um relógio de bolso. Até aí tudo dentro da normalidade de ser um Iremonger, o que é “estranho” é que Cloud consegue ouvir os objetos de todos e eles estão falando uns nomes, algo que ele não entende. Guardar um tampão de ralos no bolso, ok, mas daí a ele começar a falar, aí já passou dos limites.

E por falar em limites, Heap House é uma construção é tão complexa, confusa e até perigosa, que quem tenta sair de Heap House pelos Cúmulos invariavelmente morre. A única forma de se chegar ou sair é pelo trem do subsolo. E falando em subsolo, um dos aspectos mais importantes da construção é que ela é dividida em duas partes, aquela visível, na superfície, onde ficam os Iremongers “puros”, como Clod, e a parte encoberta, abaixo da terra, que é onde moram os Iremongers mestiços, que trabalham como serviçais de seus parentes “superiores”.

E é aí que entra outra personagem tão importante quanto Clod: Lucy Pennant. Lucy é uma menina órfã, parente distante dos Iremonger, que é levada para Heap House para servir seus familiares. As diferenças de tratamento são nítidas, uma parte da família é repleta de confortos, enquanto a outra não possui nem acesso a luz do Sol. De personalidade crítica e temperamento forte, Lucy não se contenta em ser só mais uma Iremonger serviçal, e ela e Clod serão peças chave para descobrirmos “O Segredo de Heap House”.

A narrativa, que é feita sempre em primeira pessoa, hora por Clod, hora por Lucy, e pontualmente por outros personagens, é cativante e bastante envolvente, apesar do tom sinistro. Vai evoluindo de uma apresentação deste mundo estranho para uma narrativa misteriosa e repleta de momentos de pura aventura. O final é daqueles realmente surpreedentes, que te deixam com vontade de sair correndo para comprar a próxima edição. O livro, que faz parte da trilogia “Crônicas da Família Iremonger”, é daqueles que conquista tanto, que dá vontade e reler enquanto o próximo não vem. Mais um para a lista dos “literatura para jovens é coisa de adultos sim”.

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