Os Subterrâneos da Liberdade

Continuo na minha missão de combater a pinimba que tenho contra o Jorge Amado. Esse ano o escritor baiano faria 100 anos e acredito que já é hora de parar com esse desgosto gratuito que tenho por seus livros desde os tempos de escola. O que é mais incrível é que no colégio o que li dele, “Capitães da Areia”, gostei bastante.

No começo do ano li “País do Carnaval”, primeiro romance de Jorge Amado, e agora busquei um outro não tão conhecido, queria ler algo que não fossem suas mulheres famosas. Peguei um romance aleatório na livraria na estante dedicada ao centenário, o titulo me chamou a atenção, “Subterrâneos da Liberdade”, e o fato de ser um romance com um fundo histórico me levou a compra-lo.

Esse romance é parte de uma trilogia passada durante o Estado Novo, esse primeiro volume é o que leva ao golpe dado por Getúlio Vargas e começo da repressão. Romances históricos são uma paixão minha e achei que iria mergulhar na historia e finalmente acabar com a pinimba. Não foi o caso, mas aqui descobri qual é o meu problema com a escrita de Jorge Amado. Esse ano tive a oportunidade de assistir uma entrevista do escritor concedida na década de 1980. Lá pelo meio de seu relato de como escreve e sobre o que escreve ele diz que com o passar dos anos deixou de ver o mundo tão preto e branco, viu que existem boas e más pessoas de todas as crenças e com todas as inclinações políticas. Quando ele escreveu “Subterrâneos” ele ainda achava que só os comunistas são bons de verdade.

Essa vertente politica nos romances de Jorge Amado é conhecida e não é em si um problema, todos temos inclinações políticas. O problema é que as cores dadas aos personagens é extremamente parcial o que os torna pouco criveis mesmo em uma historia ótima e envolvente. Chega-se ao extremo de em um dado momento ele passar páginas defendendo que apenas o casal comunista é capaz de amar de verdade, todo o resto é falso.

Tirando essa parcialidade na escrita o romance é ótimo. Ele tem políticos que perdem o cargo no golpe, empresários que influenciam a policia, trabalhadores que trabalham para o regime, comunistas que lutam contra a ditadura. Tudo isso em um momento em que o Brasil entrava em uma ditadura, a Segunda Guerra destruía a Europa e o país ainda não havia se alinhado com o Eixo ou com os Aliados. É um período riquíssimo da nossa historia e dá um romance interessante, mas não capaz de acabar com a minha pinimba.

Continuarei na minha luta para acabar com a pinimba, mas está difícil.

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