País do Carnaval

Pais do carnaval

Esse ano Jorge Amado faria 100 anos. Teremos um ano de muita comemoração e muito se falará sobre a obra do escritor baiano. Como muita gente meu primeiro contado com a obra de Amado foi no colégio, “Capitães de Areia” era leitura obrigatória e lembro que me diverti bastante lendo sobre meninos de rua em Salvador. Depois disso tentei algumas vezes ler outros romances dele, mas nunca conseguia passar da página 10. Acabei adquirindo uma pinimba inexplicável com Jorge Amado.

Como uma forma pessoal de homenagear um dos escritores brasileiros mais conhecidos aqui e fora do país resolvi tentar mais uma vez. Comecei pelo seu primeiro romance “O País do Carnaval” publicado na década de 1930. A edição que peguei na estante aqui de casa é da década de 1960 e está meio caindo aos pedaços, ela junta os três primeiros romances de Jorge Amado (“Pais do Carnaval”, “Cacau” e “Suor”).

“País do Carnaval” mostra um grupo de amigos intelectuais em Salvador na década de 1920. Paulo é o nosso guia nesse mundo, um jovem educado na Europa que volta ao Brasil com desejo de se envolver na política. É um livro sobretudo sobre a desilusão. Paulo e seus amigos estão sempre falando sobre a busca da felicidade, criticando tudo e todos no Brasil e são incapazes de encontrar um rumo para as próprias vidas.

O carnaval abre e fecha o romance, a festa das ruas, a marchinha e a alegria de se brincar o carnaval são vistos por Paulo como um sinal do atraso. Mesmo olhando a festa popular como uma manifestação menor ele é envolvido por ela, pela música e por toda a alegria das ruas. Nesse primeiro romance Jorge Amado não se aprofunda muito nos temas, parece mais um ensaio do que ele queria escrever, retratar da sociedade brasileira na primeira metade do século passado.

Para um escritor que ficou muito conhecido por suas mulheres (Tieta, Gabriela, Teresa, Dona Flor), os personagens femininos são muito fracos e quase insignificantes na história. As mulheres aqui servem para aumentar a desilusão do protagonista ou para completar um quadro, mas não são ativas no desenrolar da trama. Elas entram e desaparecem de cena com facilidade e não tem lá muita importância no todo.

Esse primeiro romance de Jorge Amado não é um grande romance, tem um quê de ensaio para o que ele ainda iria escrever. Jorge faria 100 anos em agosto, no meu intuito de homenageá-lo tentarei dedicar mais tempo a sua obra. O próximo item da minha lista são suas mulheres. Quem sabe assim minha inexplicável pinimba com esse escritor não acaba.

 

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4 comentários sobre “País do Carnaval

  1. Gostei bastante do que você escreveu. Do autor, infelizmente só li (ainda) Capitães de Areia, que gostei muito e tenho vontade de ver o último filme estreado.
    Tenho curiosidade de ler outras obras dele. Tinha (ou tenho ainda, não sei) uma edição velhinha de Gabriela, e sempre ficava de ler, mas acabava lendo outros livros e aí acabei nunca lendo.
    Ah, fiquei curiosa para ver a capa da sua edição antiguinha de País do Carnaval.

    bj
    escrevendoloucamente.blogspot.com

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