Pantera Negra

 

Mais um ano começa e já vem o rolo compressor da Marvel nos cinemas. Mas ao contrário de alguns heróis meio cansados, Pantera Negra é um dos títulos mais instigantes atualmente. A editora tem feito um grande esforço pra ter mais diversidade. Tem a ótima Ms. Marvel, agora uma adolescente muçulmana. E o maior mérito da Marvel é escolher a dedo autores ligados à realidade dos personagens.

Pantera Negra foi o primeiro super-herói negro de uma grande editora. Foi criado em 1966, no meio da luta pelos direitos civis, por Stan Lee e Jack Kirby. T’Challa é o herdeiro de um fictício reino secreto na África, tecnologicamente ultra-avançado. Além de rei, ele encarna a figura do guerreiro e animal protetor de Wakanda.

Na atual encarnação, quem assina as histórias é Ta-Nehisi Coates, jornalista premiado por “Entre o Mundo e Eu”, um relato sobre a situação dos negros na sociedade americana. Na primeira sequência, “Uma Nação sob Nossos Pés”, Ta-Nehisi discute o poder e o direito divino do nosso herói. O rei de Wakanda enfrenta uma guerra civil, a população revoltada contra o soberano autocrático. T’Challa/Pantera Negra é forçado a ceder e aceitar reformas democráticas. Questionamentos que a gente não vê todo dia em quadrinhos de super-heróis.

No segundo arco, ainda em andamento, Coates vai ainda mais longe. Os orixás protetores abandonaram Wakanda. E na investigação desse sumiço, T’Challa faz descobertas bem desagradáveis sobre a origem do reino.

No “esquenta” pro filme, a Marvel lançou em dezembro mais duas minisséries. Em “Rise of the Black Panther”, o jornalista Evan Narcisse – convidado por Coates – reconta a origem do personagem e os primeiros passos de T’Challa ao assumir o cargo. É bem diferente do que foi mostrado na aparição do Pantera Negra no filme “Capitão América – Guerra Civil.”

E em “Black Panther: Long Live the King”, Nnedi Okorafor explora mais um pouco as consequências da crise política narrada por Ta-Nehisi – agora com monstros! Aliás, quem gosta de Fantasia e Ficção Científica tem que experimentar os livros dessa americana de família nigeriana. “Binti” é uma trilogia sobe uma jovem navegadora espacial que acaba de ter o terceiro volume publicado, e “Quem Teme a Morte” está sendo desenvolvido como série de televisão produzida por George R. R. Martin.

Nas três séries, a arte usa muito bem a ambientação e a estética africanas, principalmente nas cores fortes. Destaque pros traços fortes de Brian Stelfreeze em “Uma Nação sob Nossos Pés”, e pro português André Araújo, que desenha a série de Okorafor com um traço fino que lembra muito artistas franceses como Moebius.

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