Para todos os garotos que já amei – filme

Todo mundo está falando da adaptação para filme do romance de Jenny Han, “Para todos os garotos que já amei”. Muitas resenhas repletas de adjetivos como “fofo” e “lindo” estão salpicados em tudo que é canto na internet e assino embaixo de todos. O filme realmente é muito fofo e muito lindo, mas também – assim como o livro no qual foi baseado – é muito mais do que isso.

Claro que condensar centenas de páginas em menos de duas horas é uma tarefa complexa e que vai resultar no corte de várias cenas. É normal, embora nós fãs de livros estejamos sempre soltando a frase “Mas no livro, acontece assim: …”. Cinema, TV, livro, teatro são todas mídias diferentes, que trazem formas diferentes de contar e consumir histórias. Dito isso, temos muitos cortes e pouco tempo para o desenvolvimento do relacionamento de Lara Jean e Peter Kavinsky? Temos. Ficou ruim? Não!

“Para todos os garotos que já amei” aproveita de uma situação que é um pesadelo para qualquer adolescente – que é ter os seus sentimentos revelados para os seus crushes sem autorização ou preparo ou certeza de serem correspondidos -, para também expor a importância das amizades, da confiança na família e nos amigos, da lealdade. Claro que o livro faz isso de maneira mais completa porque não precisa se preocupar com orçamento ou tempo de duração, mas o filme toca (embora não mergulhe) em temas como “slut shamming”, machismo, e muitos, muitos temas familiares e que estão presentes no nosso dia a dia, independente do nosso background social, econômico ou étnico.

Por falar em etnia, se você acha que foi fácil adaptar uma obra na qual a protagonista é de ascendência coreana, porque, afinal, estamos em 2018, errou feio! A autora Jenny Han cortou um dobrado para conseguir uma produtora que topasse fazer o filme como é o livro: com representatividade! E quem levou o projeto foi a única que topou isso porque as demais queriam Lara Jean totalmente americanizada. CHOREM, PRODUTORAS SEM NOÇÃO! CHOREEEEMMM!!!

Claro que imaginei Peter de outra forma e Margot mais jovem, mas nada disso fere a essência da história, que teria sido destruída se o dinheiro tivesse falado mais alto do que o resto. Obrigada por se manter fiel ao que você escreveu, Jenny Han, sua maravilhosa!

Por falar em Peter, O QUE É o Noah Centineo? MINHA NOSSA SENHORA DAS FANGIRLS, que rapaz FOFO! Uma graça e totalmente à vontade no papel e com um química sensacional com a maravilinda da Lana Condor, que interpreta nossa protagonista. Lana é a CARA da minha Lara Jean, do cabelo perfeito até o look que eu quero no meu guarda-roupa! Sua interpretação equilibrada entre humor adolescente, olhos de garota apaixonada e atitude de “não tenho que aturar besteira de garotinha popular” é a coisa mais linda! Que casal perfeito, minha gente! Quero mais deles para ontem! PLEASE!

Destaque também para Anna Cathcart, que interpreta Kitty, e Israel Broussard que arrasou como Josh. Queria mais cenas contigo, queridinho, porque você é muito bom ator. Já Janel Parrish, que interpretou Margot, continua a mesma água com açúcar de “Pretty Little Liars”. Não sou fã nem da personagem e nem da atriz, mas a combinação caiu direitinho para o filme e funcionou bem.

Eu vi o filme já sabendo tudo que ia acontecer, pois tinha lido o livro (resenha da trilogia aqui), mas vi com o meu marido e ele não fazia ideia da história. De vez em quando, espiava o rosto dele fixo na televisão e via o sorriso tranquilo em seus lábios. Quando tem aquela cena na frente da casa da Lara Jean na qual todas as verdades são expostas, ele virou pra mim e me perguntou com quem a Lara ia ficar, porque estava com pena do Josh mesmo achando o Peter legal. E o bom dessa história é que nenhum dos “gatinhos” é babaca ou aquele cara idiota que precisa mudar para ser digno da protagonista. Todos eles são legais e erram e acertam, como qualquer adolescente. E o mesmo vale para as meninas (tudo bem que a Gen é uma mala, mas depois entendemos a razão disso, embora sinto que faltou essa explicação no filme).

A trilogia “Para todos os garotos que já amei” é sobre família, sobre adolescência, sobre a banalidade e a delícia que é o nosso dia a dia, repleto de tanta gente de diferentes cores, gêneros, orientações, históricos … somos plurais e Lara Jean sabe disso. Ela é isso e, assim como todos nós, também é muito mais.

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