Pare de se odiar

Leio muito e leio rápido, mas esse eu demorei. Foram quase dois meses para ler 150 páginas, quantidade que geralmente leio em poucos dias. Mas o tema aqui não é quantidade ou velocidade, mas qualidade de leitura e ler “Pare de se odiar” (Alexandra Gurgel, Best-Seller) foi muito mais do que uma leitura, foi um exercício de reflexão e mudança.

Não sou gorda, mas nunca fui magra. Meu corpo é grande porque ele é herança da parte grega da minha família. O resultado é que o tal “padrão de beleza” sempre passou muito longe lá de casa e isso sempre foi um problema pra mim. Embora tenha personalidade forte, a minha autoestima está sempre levando porrada e o sentimento de inadequação me acompanha desde a adolescência. Mas chega. Quando peguei “Pare de se odiar” para ler por meio da parceria com o Grupo Editorial Record, eu já sabia que iria gostar porque eu admiro muito o trabalho e o posicionamento da Alexandra Gurgel. Gosto muito dos vídeos dela não porque somente é uma mulher gorda que se aceita, mas porque não foi fácil para ela chegar a esse ponto e se aceitar não é o mesmo que se acomodar. E eu finalmente entendi isso.

Sabia que iria gostar do livro, mas não esperava que iria me envolver tanto com a leitura. Por isso demorei: parei, anotei, reli, refleti. Meu exemplar está cheio de post-its em partes que me marcaram muito. Doeu algumas vezes e foi libertador em outras. A gente sabe que é influenciado pela sociedade, pela indústria da beleza, mas a Alexandra coloca de tal maneira aqui no livro que eu revi muitos conceitos, dei unfollow em alguns perfis no instagram e mudei outros hábitos.

“Pare de se odiar” não é só um livro sobre autoestima, é um livro sobre como você – independente do gênero, peso, cor, credo – pode e deve tomar as rédeas da sua vida e ninguém tem nada com isso. É um livro sobre feminismo, sobre como ninguém é perfeito, mas como só mulheres são “forçadas” a atingirem a perfeição (e como isso é errado). É um livro que mostra que mulheres aprendem desde pequenas que meninos são amigos, mas outras meninas são competição e como isso é errado! Crescemos praticando bodyshamming e morrendo de medo de sermos a próxima vítima disso. E por quê? Porque temos que ter tanto de cintura e de peso, usar trinta e poucos na calças, não comer isso, não beber aquilo, não falar isso, não agir dessa forma …. quem disse? Quem ditou essas regras para as mulheres? Por que não podemos gostar da gente ou não, ou querer mudar nosso corpo e tudo bem? Por que emagrecer tem que ser sofrido e não apenas um fato como querer aprender a nadar ou pintar o cabelo? 

 

Tudo bem a gente querer ou não mudar o nosso corpo, mas que seja uma vontade nossa e não uma imposição do outro, da sociedade, da porcaria desse padrão absurdo. Quer mudar? Muda. Não quer? Não muda. Mas respeite a mana, não julgue a irmã porque não sabemos a luta dela, o que se passa na cabeça, no coração dela. Julgar o corpo alheio é só uma maneira de você se sentir superior de forma escrota. E não, não vou pedir desculpas pela palavra chula porque é isso mesmo. É escroto ficar falando do corpo dos outros e não, não tem desculpa pra isso não. Não quer se sentir assim? Mude o comportamento. Eu tô mudando um monte de coisas no meu e tô me amando muito mais, por dentro e por fora. Obrigada por isso, Alexandra! É uma luta diária, mas que está se transformando em um exercício de amor diário. E quando a gente aprende a se amar, tudo fica mais fácil. Tente você também. Leia o livro e abrace o seu corpo. Ele é seu e de  mais ninguém.

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