Perfil: JK Rowling

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Hoje uma parte da minha infância (e talvez da sua) faz meio século. O aniversário de 50 anos de J. K. Rowling me traz muitas emoções, um misto de “estou ficando velha” e um gostinho delicioso de infância.

Como criança Harry Potter que fui/sou, JK fez parte da minha pré adolescência e adolescência, e acredito que tenha sido a primeira autora a qual acompanhei ansiosamente o lançamento de cada livro. Suas histórias tiveram dois impactos essenciais na minha formação juvenil: a sensação de que eu não estava só e a consciência de que, enquanto mulher, eu poderia ser tão boa ou melhor do que qualquer homem. Suas personagens femininas sempre foram muito marcantes (desde o protagonismo de Hermione até as atitudes de Narcisa, como não ser impactada?) além, é claro, do exemplo de sua própria história de vida.

Joanne Murray (seu atual nome de casada) passou por muitas dificuldades muito antes de ser uma riquíssima escritora britânica, e isso não é segredo para ninguém, especialmente para os fãs mais dedicados. A perda da mãe para a esclerose múltipla, o primeiro casamento fracassado e infeliz, a suspeita de violência doméstica, o desemprego, o desespero de se ver com um bebê para sustentar, a depressão e os pensamentos suicidas (que a levaram a criar os temíveis dementadores). Para JK tudo isso é parte integrante do que ela é hoje, e a superação de cada etapa fez dela uma pessoa mais forte.

A história do menino com um raio na testa lhe veio toda à mente em uma viajem de trem, antes até de tudo isso (JK conta que é uma pena que sua mãe não tenha chegado a conhecer Harry), mas colocá-lo no papel levou alguns anos. Escrevia em bares, com a filha no carrinho, e penou por muitos anos até que “Harry Potter e a Pedra Filosofal” (primeiro da série de sete livros), fosse publicado. Bateu à porta de muitas editoras, recebendo a recusa em todas, até ter sua história aceita e publicada pela Bloomsbury, em 1997. Nesta ocasião, Joanne Rowling se tornou “JK Rowling”, pois a editora acreditava que os meninos poderiam não se interessar pelos livros escritos por uma mulher, e a autora passou a adotar um nome mais “neutro”. A tática um tanto preconceituosa acabou lhe rendendo o pseudônimo pelo qual seria famosa. Meninos, meninas, crianças, adultos, todos se apaixonaram por Harry. Do ano de seu lançamento até hoje, a saga de O-menino-que-sobreviveu se tornou um enorme sucesso e alcançou gigantesca popularidade, milhões de cópias vendidas, traduções para 73 idiomas e adaptações para o cinema com bilheterias bilionárias. Um mundo de “adoradores” do mundo criado por JK. A autora chegou a receber o título de a primeira pessoa no mundo a se tornar bilionária em dólares escrevendo livros (nomeada pela Forbes, em 2004). E no amor, voltou a ser feliz se casando novamente em 2001 com Neil Michael Murray, um anestesista, com quem teve mais dois filhos.

O último livro da série (Harry Potter e as Relíquias da Morte) foi publicado em 2007, e o último filme chegou às telas em 2011, época, também, do lançamento do Pottermore, site comunidade de convivência e divulgação de informações voltado para os fãs. Mas a saga parece continuar viva, cada vez que alguém levanta o assunto ou algum novo produto é lançado. JK chegou a dizer que tem material suficiente em sua cabeça para um oitavo livro e até anunciou uma enciclopédia sobre o seu mundo mágico. Porém, declarou que está satisfeita com a forma com que a saga foi finalizada, e não há previsão de outros livros para a série.

Além das edições complementares à série Harry Potter, com histórias do mesmo mundo (“Animais Fantásticos e onde Habitam”; “Quadribol através dos séculos”; e “Os Contos de Beedle, O Bardo”), JK dedicou-se, também, à literatura adulta. Em 2012, publicou “The Casual Vacancy” (Morte Súbita), seu primeiro romance voltado para os mais velhos. E em 2013, foi a vez de lançar o suspense “The Cuckoo’s Calling” (O Chamado do Cuco), sob o pseudônimo de Robert Galbraith, seguido por “The Silkworm” (O Bicho-da-Seda) em 2014, e Career of Evil (previsto para outubro de 2015 no Reino Unido, sem data de lançamento no Brasil). Todos com boa recepção do público, de uma forma geral.

Rowling dedica uma boa parte de sua fortuna para combater a pobreza e a desigualdade social (através do fundo Volant Charitable Trust), além de fazer diversas doações generosas para a pesquisa e tratamento da esclerose múltipla (doença que acometeu sua mãe). Entre os diversos recordes quebrados e prêmios recebidos, JK Rowling foi eleita pela Enciclopédia Britânica como uma das 300 mulheres que mudaram o mundo.

Eu acho que nós temos uma responsabilidade moral, quando nós recebemos muito mais do que nós precisamos, de fazer as coisas sábias com ele [dinheiro] e usá-lo de forma inteligente – JK Rowling

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