A poeira que jogamos debaixo do nosso tapete mental


Acho que eu deveria começar com um “Feliz Ano Novo!” e talvez um sorriso bem largo, caso você esteja me olhando de lado ainda por conta da última coluna, que fechou o ano, devo admitir, de forma um tanto pesada. Para me redimir, resolvi escrever algo mais leve hoje, embora com um toque de filosofia inevitável, mas não prometo nada. Mas que vai ser brega é garantido!

Sabe quando você faz arrumação no quarto, em casa ou no escritório? (Se você não se identifica com nenhuma dessas opções, abençoado seja, seu sortudo!, mas finge que alcança a analogia aqui pra eu poder continuar contando.) Tem sempre aquela última coisa que você deixa de lado para arrumar depois de tudo porque simplesmente não sabe onde guardar, e porque também ainda não está preparado para jogar fora, não é verdade? Diz que sim pra cooperar aqui, vai. Então. Às vezes, isso acontece comigo também de forma abstrata e, ao organizar pensamentos e sentimentos, tenho deixado vários para arrumar depois, e sinto que minha cabeça virou um grande depósito de lixo mental; e eu não sei muito bem o que fazer com isso porque não consigo reunir forças suficientes para me livrar de certos pensamentos. E é isso que eu chamo de jogar a poeira para debaixo do tapete mental.

E, cara, se apegar a uma poeira é uma merda! Eu registrei oficialmente o ano de 2017 como O Ano das Poeiras-Chiclete. Em 2018 eu decidi, de uma vez por todas, fazer a limpeza. Chega de poeira no meu tapete!

“Mas que merda é essa de poeira que você tá falando, Vivi?”

Eu explico.

Sabe aquele projeto que nunca saiu do papel – se bobear nem do campo das ideias? Aquela pendência que você tem há anos com alguém ou alguma coisa? Sabe aquele carinha que você continua pensando e sabe que não faz sentido nem nunca vai fazer e você não consegue dizer adeus? Sabe aquelas palavras que você nunca disse a alguém mas sempre quis dizer pro bem ou pro mal? E aquele amigo que você sente falta mas a vida corrida te impede de tomar um café com ele ou chamar para um almoço? Sabe aquele livro que você sempre quis ler mas nunca deu tempo porque vive priorizando outros e outras coisas? Sabe aquela carta que você fica adiando escrever por não saber exatamente o que falar? Sabe aquele idioma que quer aprender desde que consegue lembrar e só precisa daquele empurrão de determinação? Aquele abraço que você esquece de dar nas pessoas queridas por pura distração? Sabe aquelas roupas que você não usa mais é tá louco para juntar numa sacola e doar ou vender? Por falar em vender, sabe todos os trecos que não têm mais utilidade pra você e ficam pegando poeira no armário ou na estante e você não vê a hora de se livrar de tudo? Ah, e sabe aquela pessoa que ainda está na sua vida e você não entende o por quê de tão diferente que vocês se tornaram um do outro e acha que não tem mais nada a ver continuar saindo? Sabe aquela promessa que você vive fazendo a si mesmo que vai parar de fumar, de beber, de comer as unhas – no meu caso comer a pele dos dedos?

Isso tudo e muito mais é a poeira que você joga para debaixo do seu tapete mental. Meu tapete virou um pufe gigante de tão cheio. Eu já não consigo mais esconder a poeira, ela transborda e contamina o ar e eu acabo me envenenando com esse acúmulo tóxico. Feng shui, I Ching, ou qualquer coisa do tipo, você acreditando ou não, uma coisa é fato: você não tem como caminhar pra frente ou pra lugar algum com tanto lixo à volta.

E, se não dá para fazer faxina diariamente, como deveria ser, ao menos de vez em quando, e, pra mim, eu escolhi 2018. Meu ano de transição, de mudanças bruscas e nem tanto, de movimento, compreensão, de transparência e, principalmente, de (mais) atitude!

2018 é um ano para quem está disposto a ser ousado e corajoso para resolver as pendências, antigas questões e colocar os sonhos em ordem.

Quem embarca nessa comigo?

(Nossa, até eu tô revirando os olhos com esse texto motivacional, mas é o que tem pra hoje. Anyway, estou falando muito sério. Mudanças, galera! Esse ano é nosso!)

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