Salvem as livrarias

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da vinciHá alguns dias uma matéria do jornal O Globo anunciava que a tradicionalíssima livraria Leonardo Da Vinci vai fechar as portas. A notícia caiu como uma bomba na redação do Cheiro de Livro não só porque qualquer notícia de uma livraria fechando causa dor no coração de bibliófilos como nós mas também porque é a Da Vinci fechando.

A Da Vinci é um patrimônio cultural do Rio, uma livraria que mereceu texto do poeta Carlos Drummond de Andrade. Na minha história como leitora a Da Vinci entrou no final da adolescência quando resolvi me aventurar em ler livros em outras línguas. Pegava o metrô, saltava na Carioca e descia a rampa do edifício Marques de Herval e lá estava ela a Da Vinci, imponente, ocupando os dois lados do corredor da livraria. Passei horas namorando os livros em todas os idiomas que aquelas estantes guardavam, comprei guias de viagem, livros de culinária, minha coleção do Petit Nicolas em francês e alguns do Harry Potter em edições inglesas. Era nas estantes da Da Vinci que buscava os livros mais difíceis, era batendo papo com os livreiros de lá que a minha paixão por livros ia sendo alimentada.

O escritor Benjamin Moser lançou a ideia de que um grupo de cariocas apaixonados deveria comprar a livraria e moderniza-la, eu adoraria que isso acontecesse. A Da Vinci está prestes a fechar as portas porque demorou a se adaptar aos novos tempos, tempos em que é raro alguém sair de casa para vagar por estantes e mais estantes de livros no centro da cidade. Vivemos em um mundo rápido e conectado, compra-se de tudo pela internet e quando se vai a uma livraria espera-se encontrar um café, uns filmes para vender e um ambiente aconchegante. Nenhuma dessas características a Da Vinci possui, o que ela tem é tradição, é história e isso não tem café ou ambiente que possa comprar e é por isso que me junto a Moser e peço que salvem a Da Vinci, que a modernizem, que conduzam à livraria ao século XXI.

Em uma pequena nota o colunista Ancelmo Góis disse que o empresário Omar Catito Peres estaria disposto a salvar a Da Vinci. Ele que acabou de comprar o Bar Lagoa e já é dono da Fiorentina e da Guerin bem podia salvar mais esse ícone cultural do Rio. Aqui na redação estamos todos torcendo para a Da Vinci sobreviva, que se adapte aos novos tempos e que gerações possam passear pelas suas estantes namorando os livros como nós tanto fizemos.

2 comentários sobre “Salvem as livrarias

  1. Realmente ela demorou muito a se modernizar. Eu conheci a Da Vinci quando tive que comprar meus livros do curso de italiano (porque as lojas de livros didáticos de idiomas, como a SBS, não vende italiano!). Nela descobri uma livraria super especializada. Para um mercado de nicho muito pequeno.
    Os livros são muito caros, mas como você disse: ela é tradicional.
    Acho que ela deveria ser resgatada sim, mas revitalizada e deveria mudar de lugar. Vamos falar a verdade: quem vai ao centro comprar livros no subsolo de um prédio hoje em dia?
    Uma coisa é vc estar dentro do CCBB, por exemplo, e parar em uma livraria. Outra bem diferente é no caos do centro da cidade…

    1. Nem acho que ela precise mudar de lugar, mas precisa ser mais atraente ao novo público. Hj está bem ruim de chegar lá com a obras no centro, mas as obras acabarão e a rua passará a ser só de pedestre, dá para sobreviver é só se modernizar, abraçar a internet e seguir adiante

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