Somos todos peculiares

A diferença que nos une

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Assim que vi a capa do livro em inglês, há alguns anos, eu pensei em uma única palavra: “QUERO”. Assim mesmo, em caps lock. Mas mesmo depois do marido (na época ainda namorado) ter comprado o exemplar em capa dura, lindão, eu tive que passar outros livros na frente da lista de leitura. E assim foi até agora, quando finalmente li o livro, mas ainda não vi o filme. Ah, quase esqueci! Estou falando de “O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares”, de Ransom Riggs.

Então, não é que é mais light do que eu imagina? Não vou soltar spoilers ou abordar todos os detalhes da obra, porque se consegui chegar até 2016, com lançamento de filme, e sem um spoiler sequer, não vou puxar teu tapete, né?

Basicamente, em “Peculiares” nós conhecemos Jacob, um adolescente que não sabe exatamente seu lugar no mundo. Até aí, quem nunca? Jacob pertence a uma família rica, porém sem muito afeto entre si. Seu avô paterno – Abe – é o parente com quem Jacob tem mais afinidade. Peculiarmente excêntrico, Abe sobreviveu aos horrores da 2ª Guerra Mundial e contou inúmeros relatos de como conseguiu fugir para um orfanato (também traduzido como “lar” e não “orfanato” na edição da Intrínseca) em uma ilha longínqua e como era o lugar mais incrível do mundo, com as pessoas mais estranhas, porém queridas que uma pessoa poderia conhecer. Por anos, Abe contou essas histórias a Jacob e ele, como todo bom neto, acreditou. Até crescer e não acreditar mais.

Mas então algo terrível acontece e Jacob se questiona se o que viu foi resultado de choque causado por pavor ou a mais pura e horrenda realidade?

Então não somente Jacob se questiona, como todos ao seu redor passam a questionar sua sanidade. E a única coisa que resta fazer é achar o tal lar/orfanato na ilha e colocar a prova o que o seu avô lhe contou.

Mas a jornada de Jacob não será fácil. Mas nós, leitores, vamos com ele nessa viagem que mostra como o estranho e peculiar pode ser, na verdade, um ponto de vista, ou até mesmo uma percepção diferente do que é real.

Ransom Riggs tem uma narrativa incrível! É um equilíbrio entre simplicidade o suficiente para ser crível para um garoto de 17 anos falar e pensar, mas lírica e sensível na medida para nos fazer refletir assim como faz o personagem.

Fotos – bem, peculiares, por falta de uma palavra melhor – ilustram o livro e integram a história. Mas também podem pegar o leitor desprevenido de jeito. Eu fui uma, por exemplo! Achei que o livro seria muito mais aterrorizante do que realmente é. Embora um personagem em especial – Enoch – se destacou na leitura como o mais, digamos, macabro. Não vou falar mais nada sobre ele porque tudo nele é incrível e o personagem só aparece no finalzinho do livro e vai estragar se eu contar.

Falei que esperava que o livro fosse mais aterrorizante. É que, na verdade, eu esperava um livro de terror, quando li um livro de fantasia sombrio. Sim, tem diferença e essa tênue linha entre o macabro e o fantástico (onde autores como Neil Gaiman transitam com conforto) é incrível de percorrer! Adorei a experiência de ler “O Orfanato da Srta. Peregrine para Crianças Peculiares” porque foi um fantástico que entendi além do estranhamento externo que alguns personagens causam. A lealdade entre tanta gente diferente me fez sorrir. Somos todos diferentes e é essa diferença que nos torna iguais e ver isso em um livro literalmente fantástico faz com que muita coisa ganhe perspectiva.

Sem querer dar spoilers, em um dado momento, um personagem diz algo assim para o outro: “Eles podem te amar, mas jamais o entenderão”. E naquele momento eu entendi e me identifiquei.

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