Vento Leste Vento Oeste

Pearl S. Buck é dessas autoras que sempre fizeram parte da minha vida e que descobri que quase ninguém lembra, infelizmente. Minha mãe é um fã da escritora americana e desde minha pré-adolescência li muitos de seus livros. “Vento Leste Vento Oeste” foi escrito em 1930 e é o livro de estreia de Buck.

Buck foi a primeira americana a receber o Nobel de literatura em 1938. Toda a sua obra é focada no conflito de costumes entre o oriente e o ocidente. Buck é filha de missionários e viveu a maior parte de sua vida no interior da China. Seus livros falam sobre as diferenças entre os orientais e os ocidentais e como se deu o contato entre ambos, lembrando que ela está escrevendo na década de 1930, quando o mundo era muito maior e mais distante do que hoje na era da internet. O que ela contava e relatava era novo, diferente e surpreendente para os leitores ocidentais. Ao longo da vida Buck tornou-se uma defensora de adoção de crianças orientais e de crianças de casais inter-raciais (orientais e ocidentais).

“Vento Leste Vento Oeste” é uma síntese de tudo que Buck escreveu. É contado em primeira pessoa por uma mulher chinesa, criada em todas as tradições milenares que se casa com seu prometido, mas seu noivo é um médico que estudou e se formou no ocidente e ela tem que lidar com as diferenças de costumes. Kwei-Lan, nossa protagonista, começa o livro vendo nos costumes dos bárbaros (os ocidentais) só estranheza e vai assimilando as diferenças aos poucos, a sua mudança do inicio do livro para o final é gritante. O seu enfrentamento das tradições começam como marido indo morar em uma casa ocidental e ela ficando longe do clã dele. A cena dela contando que uma mulher não pode ficar bonita em uma casa com tanta luz e sem as sombras das casas tradicionais é linda.

O grande enfrentamento da tradição chinesa é feita pelo irmã de Kwei-Lan que se casa com uma estrangeira e não com a noiva que lhe foi prometida, a filha de Li. É nesse momento que o contraste de tradições é mostrado com mais clareza e Buck explica sem didatismo como funciona a sociedade chinesa, suas superstições, suas crenças e sua hierarquia. O leitor vai absorvendo todas as informações sem que isso seja uma aula, está tudo dentro do enredo, da forma com que Kwei-Lan descreve e todos os seus espantos com as atitudes de sua cunhada Mary.

Ao terminar essa releitura, mais de 20 anos depois, vi novas nuances na escrita, encontrei novos significados, são as maravilhas da releitura. O que Buck conta é datado e ao mesmo tempo atual, aceitar as diferenças de culturas, de costumes, não demonizar o diferente é, infelizmente, um tema tão atual quanto era na década de 1930. Os livros de Buck não são muito fáceis de encontrar mas vale buscar em sebos e mergulhar em suas histórias.

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