Resenhas

Nada digo de ti, que em ti não veja

Eliana Alves Cruz é dessas escritoras que me conquistou na primeira página e que acompanho de perto. “Nada digo de ti, que em ti não veja” (editora Planeta) é seu mais novo romance e que eu demorei um pouco para começar a ler. A lentidão em chegar a ele é culpa da pandemia e não da ótima história contada no Brasil colonial.

Uma das características da escrita de Eliana que sempre me encanta é a ambientação que ela é capaz de descrever. Aqui é o Rio de Janeiro colonial, primordialmente, e o caminho para as Minas Gerais. Junta-se a isso o horror da escravidão e escravos contando parte do enredo e temos um bom e envolvente livro. Demorei um pouco para engrenar na leitura, mas depois de umas 50 páginas estava vidrada e não queria coloca-lo de lado. Queria saber sobre o amor de Felipe e Vitória, da traição as famílias Muniz e Gama e o papel da igreja em tudo isso.

Se em “O Crime do Cais do Valongo” Eliana falava muito mais do crime maior que existia no local (a venda de pessoas, o horror da escravidão) aqui o que amor de Felipe por Vitória é apenas o estopim para mostrar a hipocrisia de uma sociedade regida pela moral da igreja onde nem os clérigos seguem as regras. É com tristeza que se constata que existe muito dessa mesma hipocrisia que ainda rege a sociedade brasileira nos dias de hoje.

Há um aventura, um mapa do tesouro, fugas, romance e amor nesse livro, mas isso tudo é apenas o molho em cima do que é realmente mostrado: horror e hipocrisia. As diferentes religiões e como seus fieis conseguiam manter crenças e rituais em sigilo se misturam com os horrores da escravidão e a leve esperança de se comprar a sua própria liberdade, ou como é posto no livro, a riqueza que é se ter opção.

Grandes livros são aqueles que permanecem com você existindo depois do ponto final e “Nada digo de ti, que em ti não veja” é um desses livros.

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