Livros Resenhas

O Clube dos Canalhas

A série O Clube dos Canalhas da autora Sarah Maclean foi traduzida no Brasil por Cássia Zanon e A C Reis e publicada pela Editora Gutenberg. Ela é composta por quatro romances, cada um contando a história de amor de um dos sócios do Anjo Caído – o cassino mais exclusivo de Londres. Como a maioria das obras do gênero, os livros são independentes e podem ser lidos separadamente. Mas no caso desta série em particular vale a pena lê-los na ordem pela surpresa do último livro (não recomendo ler a sinopse do último se não quiser spoilers).

O primeiro livro, Entre o Amor e a Vingança, nos apresenta ao cassino (cenário da maior parte das histórias e quase um personagem em si) e seus 4 donos: Bourne, Cross, Temple e Chase, todos membros da aristocracia caídos em desgraça de uma forma ou de outra. O Marquês de Bourne é o protagonista aqui e, como título sugere, precisa decidir o que é mais importante: a vingança contra o homem que o manipulou e fez perder toda a sua herança no jogo ou a felicidade ao lado de seu amor de infância, Lady Penelope Marbury (já conhecida pelos leitores da série Os Números do Amor, da mesma autora, e publicada no Brasil pela Editora Arqueiro). 

Na sequência temos Entre a Culpa e o Desejo, a história do Sr Cross, o tesoureiro do clube, e de Lady Philippa Marbury, a brilhante irmã da protagonista do primeiro livro. Pippa está prestes a se casar e deseja saber mais detalhes sobre o que se passa na performance de seus “deveres conjugais”, para isso ela decide consultar alguém confiável, com experiência no ato e sem escrúpulos de corromper uma jovem inocente: Sr Cross, conhecido libertino e amigo de seu cunhado parece ser a escolha perfeita. 

A série continua com Entre a Ruína e a Paixão e já adianto que se a premissa parece péssima, a execução consegue ser pior. Temple tem fama de assassino há 12 anos, desde que a noiva de seu pai desapareceu na véspera do casamento e ele foi encontrado na cama da moça em meio a uma profusão de sangue. Sem nenhuma recordação dos eventos da noite, ele acredita mesmo que possa ter matado a jovem e sofre atormentado com a incerteza e o desprezo da sociedade desde então. É claro que a moça em questão, Mara Lowe, está vivíssima e decide ressurgir das cinzas para propor um acordo a Temple: ela revela a verdade ao mundo em troca do perdão da dívida de seu irmão com o cassino. E sim, ela é a mocinha do romance de Temple. Acho difícil imaginar qual seria uma justificativa plausível e capaz de redimir uma protagonista que faz algo assim, mas certamente a explicação dada no livro está longe de ser satisfatória. 

No quarto e último livro, é finalmente revelada a identidade de Chase, protagonista deste romance e que se apaixona por outra personagem apresentada nos livros anteriores. Não vou falar muito mais sobre a trama para não perder a graça mas posso dizer que é talvez o melhor livro da Sarah Maclean (escrito logo na sequência do pior).

O livro de Chase, Nunca Julgue uma Dama pela Aparência, é o que faz essa série valer a pena mas infelizmente para ter um aproveitamento total dele, é preciso ler os anteriores (ou pelo menos o primeiro e o segundo, já que o terceiro pode te fazer querer desistir de continuar) , não apenas pelo fator surpresa mas principalmente para a contextualização e pelo desenvolvimento do relacionamento entre as outras personagens. Maclean constrói boas histórias com mocinhos atormentados e angst mas às vezes perde um pouco a mão e infelizmente foi o caso aqui. O primeiro livro começa bem mas chega certo ponto em que o protagonista carrancudo te faz perder a paciência e em dado momento você se vê torcendo para a mocinha fugir com outro rapaz. O mocinho do segundo é melhor nesse sentido pois embora também atormentado não chega a tratar mal seu interesse amoroso. O que cansa é um certo prolongamento exagerado dos conflitos e uma constante repetição das mesmas ideias. Sobre o terceiro livro, não tem nem o que dizer. Vale a leitura se você estiver com vontade de passar raiva e talvez dar umas risadas de absurdos. Mas se você passar por tudo isso, a recompensa com certeza chega no quarto livro, que embora ainda traga alguns elementos problemáticos dos anteriores consegue mais do que compensar por eles com protagonistas carismáticos e tridimensionais, uma trama interessante e as pinceladas de referências mitológicas com que Maclean sempre brinda seus leitores.

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