A Droga da Obediência

O primeiro livro que me fez querer virar a página.

“Não é importante gostar do livro ou concordar com ele. É importante pensar no assunto”.

O comentário acima é de autoria do escritor brasileiro Pedro Bandeira, a quem eu – e provavelmente muitos outros brasileiros – devem o prazer de ler. Sim, “A Droga da Obediência” (Editora Moderna) foi o primeiro livro que me fez virar as páginas por prazer e não porque teria prova em breve, repleta de questões que me fariam provar que tinha lido o livro, mas não que o tinha entendido. A escrita de Pedro Bandeira me fez querer integrar o grupo de cinco jovens chamado Os Karas, que salvavam a juventude dos terríveis planos do Doutor Q. I.. Foi Pedro Bandeira quem me fez questionar professores durante a aula de literatura ainda na minha pré-adolescência. O resultado? Me deram mais livros dele para ler, graças a Deus!

“A Droga da Obediência” conta a primeira aventura de cinco jovens que formam um grupo secreto chamado Os Karas. São eles Miguel (o líder, orador da turma), Calu (o artista), Crânio (o gênio), Magrí (a atleta – e única menina), e Chumbinho (o que descobriu os Karas, ingressou na turma, mas provou seu valor).

Na década de 1980, sem telefones celulares ou computadores, essa turma consegue desvendar um plano terrível que envolve o sequestro de mais de 20 alunos de escolas diversas e a aplicação de uma droga que faz esses jovens obedecerem sem qualquer questionamento. Ou seja, os transforma em zumbis sem vontade própria. Escrito como uma metáfora, uma crítica à Ditadura Militar, “A Droga da Obediência” traz elementos que, infelizmente, ainda podem ser vistos hoje: como corrupção, censura, violência, e uma juventude mal guiada.

A solução? O Sr. Pedro deu nas primeiras linhas dessa resenha: “pensar sobre o assunto”. A alienação gera obediência cega, o que é um grande mal para a sociedade. Para aprimorar o mundo em que vivemos, é preciso questionar e colocar a mão na massa para fazer as coisas melhorarem. E é isso que os Karas faziam há mais de 30 anos e é o que nós, leitores de hoje, precisamos fazer.

“A Droga da Obediência” é uma leitura essencial para os jovens de hoje e de ontem, pois traz a pureza da infância sem tecnologia de mãos dadas com a responsabilidade de ser o futuro de uma nação. Nós somos os Karas de ontem. É nosso dever fazer com que os Karas de hoje se tornem a mudança de amanhã.

Depois de “A Droga da Obediência” li também “A Droga do Amor” e “Pântano de Sangue”, gostando mais do último. Mas nenhum superou o primeiro, que tenho autografado pelo mestre, Pedro Bandeira, e guardo na estante com orgulho. Este livro foi o que abriu o meu mundo para a leitura, embora este mundo ficasse dormente por alguns anos antes de ser liberto novamente. Obrigada, Sr. Pedro. Sigo questionando. Por favor, siga escrevendo.

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2 comentários sobre “A Droga da Obediência

  1. Na Bienal desse ano aqui no RJ, ele disse que tá escrevendo mais um livro! Ele é tão simpático e fofo e lindo! Seu Pedro é muito legal! Eu o amo demaaaais!
    E adoro essa história que você descreveu; realmente é muito boa. Eu já li toda a série dos Karas e muitos outros livros!
    Seu Pedro é meu autor favorito de todo o mundo!

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