A Química

O novo livro de Stephanie Meyer é um romance policial, bem mais romance do que policial.

Por incrível que pareça esse é o primeiro livro de Stephanie Meyer que eu leio, os seus livros anteriores eu ouvi, isso mesmo, essa é a minha primeira experiência com a palavra no papel, antes eu só ouvi as palavras. É também a primeira vez que tive uma experiência com o trabalho dela traduzido, todos os outros livros ouvi em inglês. Pode parecer uma bobagem, mas não é. Ler e ter alguém lendo para você são formas bem diferentes de experimentar um livro.

Dito isso o novo livro de Stephanie Meyer e vendido como um policial, um thriller, não seja enganado, não é nada disso, é um romance embalado por um thriller, assim como “A Hospedeira” é um romance embalado em uma ficção científica. Isso não é um problema contanto que o leitor saiba onde está se metendo.

Alex/Juliana é uma médica que trabalhava em uma organização tão secreta do governo americano que nem nome tem. Como sempre acontece em situações assim, um dia seu chefe resolveu elimina-la. Alex passa a sobreviver por causa de sua paranoia e seus conhecimentos químicos. É essa Alex/Juliana em fuga que acompanhamos – o livro é contado em primeira pessoa.

Não vou contar muito sobre a trama policial para não estragar as poucas reviravoltas, direi apenas que se você, como eu, é uma leitora de livros policiais não há qualquer surpresa no que acontece, tudo é bem padrão e muitas vezes eu antecipei, e muito, o que aconteceria. Como a trama policial importa bem pouco no livro é uma falha narrativa que passa sem maiores problemas.

Como em todos os seus livros Meyer quer mesmo é contar um romance lindo e mágico, mesmo quando não tem vampiros ou E.T. envolvido. Aqui tudo se desenrola entre Alex e Danny. O começo da relação deles me causou estranheza e me lembrou a adaptação cinematográfica de “Seis dias do Condor”, no cinema os dias foram cortados pela metade e o romance pareceu forçado e olha que o Condor em questão era o Robert Redford no seu auge. Aqui é a mesma coisa, tudo é muito rápido e muito mágico e muito perfeito.

São páginas e mais páginas do romance e a trama central vai cada vez mais sendo deixada de lado. Em um livro de quase 500 páginas apenas umas 200, se muito, são dedicadas a grande trama politico militar, o restante é só romance. Isso é um problema para quem começa a ler achando que é um thriller, mas não para o publico cativo de Meyer, para esse público é exatamente o que se pode esperar de um livro dela.

Não sou uma super fã do trabalho de Meyer e nem acho que ela seja um péssima escritora, ela vem melhorando bastante, seus romances são bem menos melosos do que erma em “Crepúsculo” e as histórias passaram a ter enredos melhores. Meu livro preferido continua sendo “A Hospedeira” esse poderia ser melhor na parte policial.

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