Coluna de Fogo

Em 2014 Ken Follett veio a Bienal de São Paulo e falou que trabalhava em um livro que contaria a formação do serviço secreto britânico e retornaria a Kingsbridge. Passaram-se três anos e “Coluna de Fogo”, primeiro livro de uma série, finalmente está nas livrarias e não é bem o que Follett prometeu na sua palestra em São Paulo.

O livro começa em 1558, final do reinado de Maria Tudor, e vai acompanhar uma série de personagens até 1606, primeiros anos do reinado de Jaime I. Esse é um período longo e que engloba toda o reinado de Elizabeth I na Inglaterra e uma era de conflitos entre católicos e protestantes em toda a Europa. Usando a mesma estrutura da trilogia do Século, Follett cria personagens nos dois lados do conflito. Ned Willard é filho de uma prospera comerciante de Kingsbridge, apaixonado por Margery Fitzgerald e, como tudo que acontece nessa cidade, não poderão se casar porque a família dela que mais poder e quer entrar para a nobreza através do casamento. É uma formula que Follett usou nos dois primeiro livros passados em sua fictícia Kingsbridge, “Pilares da Terra” e “Mundo Sem Fim“, o que traz uma familiaridade aos leitores mais assíduos dele.

Elizabeth I chega ao trono da Inglaterra e decreta que o pais é protestante, algo que irrita as maiores potencias da Europa e a Igreja católica. São muitas as tramas para assassinar ou destituir Elizabeth durante o seu reinado e Ned efetivamente faz parte de um serviço secreto criado para protege-la, mas não é isso que é o foco aqui. Follet, talvez influenciado por nossos tempos, escreve sobre a luta pela tolerância religiosa. Todos os vilões, Rollo e Pierre principalmente, são intolerantes, querem exterminar pessoas com cresças diversas a deles. Todos os heróis são pela tolerância e olha que dá um certo trabalho transformar Elizabeth I e Catarina de Medici em heroínas quando se fala em religião. Ambas mataram muito em nome da fé, destaque para o massacre da noite de São Bartolomeu que é reconstituído em um dos capítulos do livro.

“Coluna de Fogo” é um bom livro, cheio de tudo que faz de Follett um ótimo escritor de romances históricos: riqueza de detalhes, personagens envolventes, precisão histórica. Não é o livro que ele mesmo vendeu na Bienal de 2014 e talvez isso tenha me atrapalhado um pouco. Esperava entender a construção do serviço secreto e ver em um livro a mistura de Kingsbridge com os livros dele sobre a Segunda Guerra, não é isso que ele entrega e sim um bem construido livro sobre a luta pela tolerância religiosa na Europa do século XVI. O livro tem mais de 800 páginas e cobre um período de quase 50 anos, são muitos os pulos no tempo e o meu parco conhecimento de história foi necessário para preencher algumas lacunas, isso pode vir a atrapalhar alguns leitores. Mesmo com essas ressalvas já aguardo ansiosamente o segundo volume desta nova série.

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