Desencantada

Antes de qualquer coisa, é preciso deixar claro um termo: angst. Angst é um termo em inglês que traduz como “angústia”, mas no contexto romântico seria uma angústia romântica. Sabe quando você está lendo uma história na qual os dois personagens se amam, mas estão tentando não se envolver. Então acontece aquela troca de olhares cheios de significados, aquela mão de um que quase vai até o rosto do outro, mas que teme ser imprópria e fica pelo meio do caminho. Basicamente aquela escrita que faz o seu estômago sumir e o seu coração bater mais forte. E, como sou movida a angst, não é mais do que esperado que os livros da Carina Rissi me encantem tanto! E “Desencantada” não foi diferente.

Mas antes de entrar no quinto volume da série “Perdida”, preciso voltar um pouco nos anteriores, porque me dei conta que amo tanto a Carina que não consigo escrever sobre ela. Tenho isso às vezes. Gosto tanto, mas tanto, que as palavras somem e as mãos tremem e acabo esperando acalmar para escrever e nunca volto, porque passo a ler outro livro dela e lá vai o processo fangirl todo de novo! Então deixe-me contextualizar a série.

Se você não leu nenhum livro da série, cuidado! Mencionarei Spoilers!

Em “Perdida”, conhecemos Sofia, uma mulher do século XXI que está, como tantas de nós em algum momento da nossa vida, perdida. Ela não tem um trabalho que gosta, não está apaixonada, não está legal com a vida que leva e, para piorar tudo, quebra o seu celular. Ao trocá-lo, uma mulher misteriosa lhe oferece um outro aparelho que Sofia acaba descobrindo ser uma máquina do tempo que a transporta para o século XIX. A jovem cheia de personalidade chega de saia e all star em uma época de espartilhos e bons costumes. De cara, conhece Ian Clarke, o grande galã escrito por Carina Rissi (e que traria ciúmes ao Darcy, tá?). Enquanto Sofia tenta voltar para o seu tempo, Ian vai se apaixonando perdidamente por ela, ele que é responsável por Eliza, sua irmã mais nova, pois seus pais são falecidos. Claro que tudo fica bem e Sofia e Ian ficam juntos no século XIX, mas não antes de muita confusão e muito … ANGST!

No segundo livro – “Encontrada” – Sofia está no auge dos preparativos do seu casamento com Ian. Mas ainda não se sente totalmente em casa, já que é de outro tempo. Durante os preparativos, começa a entender que realmente pertencer a uma família é complexo e exige sacrifício de alguns envolvidos, além de muita compreensão. E coisas estranhas acontecem na vila e Ian está mantendo segredos. Sofia, atacada como é, quer resolver tudo e, CLARO, se mete em muitas confusões. Mas o amor sempre, sempre ganha no final!

O terceiro volume é um dos meus favoritos! Em “Destinado”, além de termos a narrativa de Sofia, conhecemos um pouco do que se passa na cabeça de Ian em uma aventura sensacional … no século XXI! Sim, Eliza acaba vindo parar no nosso tempo e Sofia e Ian viajam para o futuro (dele) e presente (dela) para salvar a jovem Clarke. E muitos rolos acontecem, e aqui a Carina começou a pesar no angst. Não estou reclamando, mas meu coração não aguenta, gente! O que é Ian Clarke de calça jeans e, depois, desmemoriado? PASSO MAL! A trama tem várias reviravoltas e algumas delas resultam no quarto volume da série: “Prometida”.

Em “Prometida”, a protagonista é Eliza e é o primeiro livro que temos Ian e Sofia como coadjuvantes. Quando comecei a ler, sabia que me apaixonaria por ele, mas senti aquela saudade de Ian, sabe? Mas quando a história pegou ritmo com o jovem doutor Lucas e seu noivado com Eliza, me derreti todinha de novo. Lucas e Eliza sempre foram apaixonados um pelo outro, mas quando a jovem sumiu no livro anterior, Lucas achou que ela tinha outro homem em sua vida. Eliza não poderia contar a verdade ou Sofia poderia ser queimada como bruxa (século XIX, né mores?). Então ela sustentou essa mentira para salvar aquela quem considera irmã. Mas o resultado foi um casamento de propriedade com Lucas. Ou seja, os dois são apaixonados, se casam, mas ficam de birra porque uma esconde um segredo e ela não quer deixar para lá. Orgulho puro, gente! E MUITO ANGST!!!! EU FIQUEI LOUCA LENDO ESSE LIVRO! Foi mal, Carina me faz capslockear várias vezes!

Mas no fim das contas, tudo sempre se resolve e eu agradeço muito por isso, porque se fosse para sofrer o livro todo – como eu sofro! – e não ter final feliz, me rasgava toda!

Enfim, chegamos ao quinto volume da série: “Desencantada”. No quarto volume, Valentina, amiga de Eliza, vai morar com o pai e a madrasta no litoral, bem afastada da vila onde cresceu. Sua mãe acabou de falecer e ela está desolada em ter que se mudar com o pai, que não lhe dá o mínimo de atenção, e com a madrasta argentina, que foi amante de seu pai e a razão de sua mãe ficar tão triste. Mas sem opções, ela vai e, em sua ausência, Lucas descobre que a mãe de Valentina foi assassinada e não morreu de tifo, como pensavam. E aí começa a correria para avisá-la do ocorrido, mas nenhuma carta chega dela ou até ela. Como será que está Valentina?

No quinto livro, tiramos essa dúvida: Valentina está se virando como pode e mostra ser uma jovem mulher de muita fibra. Se nos primeiros volumes da série a achávamos sonhadora e até um pouco irritante, ela amadureceu e se tornou justa e muito correta. Seguimos seus passos pela vila com vestidos surrados e dando o seu jeito nas contas de casa para conseguir manter comida na mesa – já que Miranda, a madrasta, gasta tudo consigo mesma – e o mínimo de propriedade nas vestimentas. Até que, em um armazém, conhece o Capitão Leon Navas, espanhol petulante e cheio de charme e MEU DEUS QUE PERSONAGEM É ESSE!?

Como esse livro é lançamento, não quero entrar nos detalhes para não contar muitos spoilers. Mas preciso dizer que é o meu segundo favorito, depois de “Destinado”, ou até antes eu diria! Valentina passa por tanta coisa, mas tanta coisa …. desde descobrir mentiras e farsas horrendas, até protagonizar uma que quase coloca tudo a perder. Ela vive caindo até além do fundo do poço, mas sempre volta a tona. Sim, Leon a ajuda, mas quem a salva sempre é ela mesma. E isso é algo que todas as personagens femininas escritas por Carina Rissi têm em comum. Todas têm interesses românticos sensacionais e apaixonantes e muito, mas muito bem escritos mesmo. Mas todas funcionam muito bem sozinhas, são destemidas (mesmo quando estão com medo), buscam fazer a coisa certa, mesmo que isso signifique que elas não vão ficar bem, são justas e ajudam outras mulheres também.

Em “Desencantada”, eu pensei que fosse ter um treco! O livro tem mais de 400 páginas e eu estava histérica com tudo que estava acontecendo! Como Valentina conseguia suportar tudo que estava acontecendo com ela? Como Leon consegue ser tão incrível e crível? Como eu ainda não tenho um cachorro como o Manteiga?

Carina Rissi transborda amor, não só por ser uma pessoa incrível e uma escritora perita no tema, mas porque ela ama o que faz e ama para quem faz. Seu carinho com os leitores é visível em seus olhos verdes e no tom de voz quando fala sobre seus personagens. Ela tem um pouco de Sofia, um pouco de Eliza, de Valentina e de todos nós. E mesmo contando lindas e angustiantes histórias de amor, Carina também aborda temas como infidelidade, honra e até homossexualismo (esse último mais forte no último livro do que em qualquer outro. E fez de um jeito muito, muito incrível e coerente com a época).

“Desencantada” talvez seja o melhor livro de Carina Rissi. Ele não precisa dos anteriores para funcionar, mas claro que é melhor ter lido a série toda. A dose de angst que tomei em “Prometida” foi grande e pensei que seria a maior da minha história de leitoras e fangirl, mas nãaaaaaao. Dona Carina quase me matou em “Desencantada” e eu só tenho a agradecer.

Não só a série “Perdida”, mas todos os livros da Carina estão repletos de personagens apaixonantes, humor, amor, diversão e situações contemporâneas que fazem nossos dias ficarem menos cinzentos e a luz no fim do túnel ficar mais brilhante. Eles são aquele suspiro depois de um mergulho, aquela espreguiçada ao acordar, aquele sorriso bobo e delicioso que se abre no nosso rosto quando a felicidade abraça nosso coração. Amo muito tudo isso!

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