Doze meses, doze vidas

Ontem, no dia do escritor, eu completei um ano de Ubook, plataforma de audiolivros, minha primeira vez trabalhando com áudio, e admito que fiquei surpresa. Ainda não tinha caído a ficha de tantas coisas que aconteceram comigo nesses últimos doze meses e, ao escrever esta coluna, finalmente pude colocar meus pensamentos em ordem e rever todas as etapas, as curiosidades, os desafios e os aprendizados.

É curioso como a gente se envolve tanto com o trabalho no dia a dia, pelo menos eu me envolvo, e nem percebe todas as coisas que são feitas, até parar para analisar uma a uma, e descobrir, com isso, o quanto aprendemos e nos transformamos. Eu sem querer listei doze situações que passei/passo na Ubook ao postar uma foto no Instagram ontem e foi aí que me toquei do tempo que havia se passado e da jornada que atravessei até o momento.

1 – Cadastrei livros no início, quando comecei de analista de conteúdo, e foi curioso voltar a ter contato com editoras com quem eu já tinha falado ou trabalhado no passado, e foi bacana revisitar plataformas de cadastro, a parte operacional, um dia a dia de contato com o cliente, a troca com o consumidor final e ter acesso ao conteúdo em si. Foi um momento importantíssimo que me ajudou a entender bastante do mercado de audiobook hoje, principalmente por ter tido contato não apenas com o catálogo mas com os clientes e ouvintes.

2 – Tive a oportunidade incrível de acompanhar narradores e atores (Beth Goulart, André Ramiro, Paulo Betti) às cabines de gravação e ver de pertinho como se grava um audiobook do início ao fim, tanto adulto como infantil. Foi incrível! Ter que segurar a tosse, os movimentos bruscos, respirar bem devagar, acompanhar uma leitura, dirigir o narrador, saber se a leitura saiu boa ou não, ajudar com pronúncias de palavras estrangeiras, oferecer sugestões editoriais… É uma das melhores etapas, sem dúvida!

3 – E já que estamos falando de cabine e gravação: WOW, o que foi gravar meu próprio livro! É até bem comum alguns autores falarem em voz alta alguns trechos do livro enquanto escrevem, por n razões, mas narrar por inteiro? Nunca tinha feito isso! A experiência foi assustadora! Primeiro, porque não sabia se eu tinha uma voz boa para isso, se eu ia saber ler, se eu teria vergonha de me ouvir, um monte de coisa. Segundo, porque reviver a história e o texto que escrevi há mais de 3 anos me preocupou um pouco. A gente amadurece rápido, né, e muda muito, nunca está satisfeito com o próprio texto, e de fato eu vi coisas ali que provavelmente hoje eu teria feito diferente, mas até que eu consegui ser forte o suficiente para entender que tudo tem seu momento, e que tá tudo bem. O bacana é que como autora eu pude tomar decisões criativas ali na hora de gravação mesmo. Melhor experiência do mundo é quando cai a ficha do que funciona melhor ou não e você ter autonomia para mudar o que é necessário. (O audiobook do #Fui será publicado muito em breve!)

4 – Tive a oportunidade de trabalhar no estande da Ubook na Bienal Internacional do Livro de São Paulo ano passado e, apesar de não ter sido a minha primeira Bienal trabalhando, foi a primeira com uma editora de audiobook. E foi interessante porque eram meus primeiros dias de trabalho na empresa e tive que aprender na marra os modelos de negócio, os planos de assinatura do aplicativo e o catálogo que tínhamos. Melhor maneira de entender o produto que você tem em mãos. Bienal me jogou lá na frente na corrida do aprendizado.

5 – Uma das coisas que mais gosto e de que sentia muita falta nos meus tempos de freelance e escritora full time eram as reuniões. E, nesse caso, não apenas as reuniões de trabalho mas as externas, com as editoras. Reuniões comerciais. Eu devo tudo que sei à gerente de conteúdo nacional da Ubook. Meu Eru, ela é incrível! Que pessoa fabulosa! E, sem esse contato externo, na posição em que eu me encontrava de observadora, principalmente, eu não teria metade da noção de negociação que eu tenho hoje.

6 – Pouco depois surgiu a oportunidade para ajudar na criação do selo editorial da Ubook, com conteúdo exclusivo, e foi então que eu pude reviver meus tempos de editora e de conhecimento das etapas e do processo editorial. Essa foi a parte mais fácil. =)

7 – Então, entrevistei pessoas, a Ubook cresceu, ajudei a montar uma equipe e tô tão orgulhosa das pessoas que estão trabalhando lá que meus olhos brilham todos os dias.

8 – Me tornei, como meus amigos me zoam, uma business girl, dando pitacos em tudo quanto é contrato, mas até que é divertido. E não é de todo ruim usar uma calça de tecido de vez em quando e uma camisa social com blazer por cima.

9 – Apesar de conhecer todo o processo, passei a fazer parte do setor de aquisição e comprar direitos autorais dos livros, o que me ajudou a ter ainda mais visão sobre o mercado literário tanto nacional como internacional. Entender como funciona a troca, o que é bom para todos e como todas as partes podem se beneficiar é a parte lúdica do business que eu sempre gostei mas nunca tinha feito parte, e agora que faço posso dizer o quanto é real e de fato prazeroso.

10 – O que falar das feiras internacionais, cara? Elas são muito interessantes. Extremamente intensas, com muitas reuniões e caminhadas para lá e para cá, cansativas e repetitivas, mas que abrem um leque na nossa visão das editoras, dos profissionais do mercado, dos leitores e dos próprios países onde as feiras estão localizadas. A troca também é intensa. E, embora a gente quase não durma por vários dias, e se esforce para não cometer gafes em outros idiomas, a experiência é tão enriquecedora que o corpo e a mente aguentam até o fim, aconteça o que acontecer.

11 – Uma das coisas que mais amo nesse mundo é falar besteira, mas minha favorita mesmo é falar besteira na frente de um monte de gente. Tive a oportunidade de participar de mesas sobre transmídia, mercado de audiobook, de plataformas streaming de assinatura, conteúdo além do livro, autora como narradora do próprio livro… aqui, em Buenos Aires, em São Paulo… nossa, muito amor!

12 – E, por último, mas não de ordem cronológica e nem de importância, eu finalmente aprendi a escutar podcasts e audiobooks. Treinei meu ouvido, minha concentração, minha interpretação do áudio, criei o hábito, não sem esforço, e hoje posso dizer que sou uma consumidora ávida de conteúdo em áudio – muito feliz e muito satisfeita.

Estou amando esse mundo, me empolguei até pra produzir mais e contribuir com esse universo de alguma forma, e espero que alguma coisa que eu tenha dito aqui te inspire a criar esse hábito de consumo também. Afinal, sabemos que cada experiência de leitura é diferente da outra e elas não se anulam, apenas se completam. E se a gente pode dar uma turbinada no nosso conhecimento com mais um tipo de mídia, por que não, não é mesmo?

E se vocês quiserem conhecer mais sobre audiolivros e a Ubook, podem perguntar à vontade. <3

#Fui

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