Em Chamas e Mockingjay

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Adoro livros pós apocalípticos, a visão que as pessoas tem do mundo e como a sociedade mundial se reorganizaria é um tema que povoa minha biblioteca particular desde “1984” e “Admirável mundo novo”. Foi esse gosto por distopias que me levou a ler “Jogos Vorazes”. Suzanne Collins me conquistou nas primeiras páginas, Katniss é uma ótima personagem e a história é muito envolvente. O vício foi tanto que não pude esperar os livros chegarem ao Brasil, comprei a trilogia em inglês e devorei os dois últimos volumes da série rapidamente. Se você não leu “Em Chamas” e “Mockingjay” (A Esperança) e tem sérios problemas em saber spoiler, pare de ler aqui. Vou comentar eventos que podem acabar com algumas surpresas da história, saiba apenas que recomendo muito a leitura dos três livros e que a série só faz melhorar ao longo das páginas.

spoiler

O nível de violência no primeiro livro já tinha me impressionado, afinal estamos falando de livros juvenis, o incrível é que a coisa piora, e muito, nos livros seguintes. Em “Mockingjay” temos tortura, mesmo que só contada de leve por Peeta; mortes de todas as formas, incluindo crianças; e nossa heroína, Katniss, matando pessoas a sangue frio. Algumas mortes são bastante sinistras e no último livro elas ganham em suspense, os capítulos acabam sempre com um gancho, volta e meia achava que estava lendo algo escrito por Suzana Flag. É assim na morte de Boggs ou no tiro que Katniss leva no Distrito 2.

O que mais me encantou nesta saga é a imprevisibilidade da trama política e até algumas reviravoltas nas tramas afetivas que eu realmente não esperava. O fato de os rebeldes, ou pelo menos seus líderes, serem tão despóticos é maravilhoso. A presidente Coin é tão odiável quanto Snow, Gail ter idéias radicais e pregar o mais famoso dos dogmas de Maquiavel, “os fins justificam os meios”, é genial e cruel ao mesmo tempo. Quem poderia esperar que as armadilhas criadas por Gail iriam matar Prim? E mais, quem não se choca com a idéia dele de simplesmente matar todo mundo que está no local de resistência no distrito 2? Esses embates de Katniss com Gail são trechos que fazem parte da trama política que mais me agradam, mostram a crueldade, debatem uma série de questões sobre a capacidade humana de cometer atrocidades.

Falando em Gail, o triangulo amoroso tem bons momentos nos dois últimos livros, mas desde o final de “Jogos Vorazes” quando Katniss diz para Peeta que tudo não passou de fingimento para ganhar os jogos e ela descobre que ele realmente é apaixonado por ela, é difícil não torcer por Peeta. Gail é charmoso e tudo mais, mesmo assim em nenhum momento o casal Katniss/Gail faz liga. Nos beijos entre os dois companheiros de caça nada intenso acontece, nada como com ela e Peeta na arena durante os dois jogos. Ele é meio deixado de lado no terço final do último livro, fiquei um pouco desapontada com o fato dele meio que desaparecer da vida de Katniss e só ser mencionado como trabalhando em um alto cargo. Faltou um fechamento melhor nessa história, não chega a comprometer, mas tem um quê de anticlímax.

As grandes surpresas mesmo vem de Peeta. Quem poderia esperar que ele fosse submetido a uma lavagem cerebral e quisesse matar Katniss? É verdade que eu achava aquele amor incondicional um tanto besta, mas não precisava alterar tanto assim a situação dos dois. Do momento em que Peeta volta da tortura até o final, com os jogo do “real or not real”, ele é um ótimo personagem, instável e nobre. Era o que faltava para a minha torcida pelos dois ser ainda maior.

Peeta tentar matar Katniss é surpreendente, mas nada me preparou para ela matar a presidente Coin, nada mesmo. Eu desconfiava de dois finais para o livro, afinal faltavam poucas paginas. Ou Panem se tornaria uma nova ditadura, um final sem esperança e incomum na literatura para jovens, ou uma eleição que destituísse Coin do poder. Nada me preparou para o que aconteceu. Não só porque é uma ótima reviravolta, mas porque transforma Katniss em uma assassina calculista, algo bem distante da menina do primeiro livro e ao mesmo tempo tão próxima do pragmatismo da personagem apresentada no primeiro livro. É um golpe de mestre.

A série é mega-ultra viciante, os personagens são bons e a história cresce a cada livro. Suzanne Collins me conquistou para a eternidade.

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