Eu e o desafio de leitura

Quando criamos a idéia de lançar um desafio de leitura queríamos desafiar nossos leitores e nós mesmos a sair da zona de conforto e desbravar novos horizontes literários. Não posso dizer que me dediquei muito ao desafio, dos 12 itens que estabelecemos cumpri apenas 4, uma decepção, tenho que admitir.

Comecei o ano dedicada a causa do desafio, comprei um livro de poesia, pesquisei e comprei um livro com uma autora com o mesmo nome que eu, fiz uma lista com os vencedores do Nobel e do Jabuti que gostaria de ler. Fiz tudo como deveria e não conseguir seguir nesse caminho. Como uma leitora com déficit de atenção, vários títulos cruzaram meu caminho q eu fui atrás deles e deixei todo um planejamento de lado.

Mesmo considerando minha dedicação ao desafio um certo fracasso ele me instigou a pesquisa, a busca de novos títulos. Descobri Carolina Maria de Jesus e o seu “Quarto de Despejo”, um relato em primeira pessoa sobre a vida em uma favela de São Paulo na década de 1950, não terminei de ler o livro e mesmo assim me entristece saber que pouco mudou. O livro continua na minha cabeceira, leio aqui e ali uma passagem, é um livro que estou digerindo aos poucos. É o mesmo caso de “O Coração Disparado” de Adélia Prado, poesia é um pouco fora do meu escopo, não é algo que leia muito e mesmo assim sei poemas inteiros de cor, estranho, eu sei. Há tempos queria ler Adélia Prado e aproveitei o desafio, o livro mora com carinho no meu kindle e vou lendo poema a poema de tempos em tempos, gosto, mas não tenho aquela ânsia de voltar as paginas que tenho com outros livros. Em ambos os casos terminarei os livros, mas não em tempo para coloca-los no desafio de leitura de 2015.

Os itens do desafio que cumpri foram ótimas descobertas. A Graphic Novel “Lições” com os personagens de Maurício de Sousa é linda, tão linda quanto o primeiro “Laços”, desses que se recomenda para os que cresceram lendo A Turma da Monica e para os pequenos que estão descobrindo-os ainda. Dois títulos conversam entre si, “Questão de Pele” e “Nação Crioula”, o primeiro é uma coletânea de contos sobre racismo, maravilhoso e que deveria ser lido por todos, aponta o fato de que na literatura nacional temos poucos protagonistas negros e essa falta de representação é absurda. O segundo é um livro angolano que fala sobre a escravidão e o que aproxima Brasil e Angola.

Gostei tanto da sugestão de ler biografias que acabei me dedicando a ler uma dividida em três partes, “Getúlio”, e um segunda que morava na minha estante há anos, “Viúva Clicquot”. Já fui uma leitora voraz de biografias e acabei deixando esse gênero de lado, o desafio me fez voltar a ele e foi maravilhoso. Redescobrir o fascínio que é ler sobre alguém que existiu, conhecer a época, reencontrei esse gosto e já tenho uma pilha de biografias que quero ler.

Quero tentar me dedicar mais ao desafio de 2016 (ele será publicado em breve), quero sempre explorar novos horizontes literários, descobrir novos autores, redescobrir autores que um dia achei maçantes, enfim me embrenhar mais no universo literário. Vamos?

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